Economia · Salários e produtividade

Porque está o salário mínimo tão perto do salário mediano em Portugal?

Em 2025, o salário mínimo equivalia a 91% do salário mediano no universo analisado pelo Banco de Portugal. Mas este número não significa, por si só, que o salário mínimo seja demasiado elevado.

Em síntese

Duas forças ao mesmo tempo

  1. O mínimo cresceu depressa.Passou de 600 € em 2019 para 870 € em 2025 e equivalia, nesse ano, a 91% do salário mediano no universo analisado pelo Banco de Portugal.
  2. Os salários acima dele não se afastaram ao mesmo ritmo.A desigualdade salarial diminuiu e a distribuição ficou mais concentrada junto do mínimo.
  3. O centro da distribuição continua baixo.Cada hora de trabalho produz cerca de dois terços da média europeia.
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870 euros e a mediana: porque interessa

Em 2025, a remuneração mínima mensal garantida em Portugal era de 870 euros.2 Segundo o Banco de Portugal, correspondia a 91% do salário base mediano dos trabalhadores do setor privado.1

Se o mínimo é 91% da mediana, a mediana rondará os 950 a 960 euros. Entre o piso salarial definido por lei e o centro da distribuição ficam menos de 100 euros.

O número, por si só, não permite concluir que aumentar o salário mínimo seja um problema. Também não mostra que os restantes salários estão baixos apenas porque o mínimo subiu.

Surge num período em que a desigualdade salarial diminuiu, mas revela também uma concentração crescente dos salários na parte inferior da distribuição. É o que se chama compressão salarial.

Este artigo procura perceber porque é que o salário mínimo se aproximou tanto do salário mediano. Os dados apontam para duas forças: o salário mínimo cresceu rapidamente e os salários acima dele não se afastaram ao mesmo ritmo.

Distância entre o salário mínimo e o salário mediano em 2025 e evolução do salário mínimo de 2019 a 2026
Em 2025, o mínimo ficou a menos de 100 euros da medianaSalário base mensal, setor privado · representação ilustrativa

O mínimo equivale a 91% da mediana.

O salário mínimo subiu 320 euros desde 2019Retribuição mínima mensal garantida, em euros
Fontes: DGERT (evolução da retribuição mínima mensal garantida); Banco de Portugal, microdados da Segurança Social (rácio de 91%). As posições na linha não estão à escala. O Banco de Portugal não publica a mediana em euros no Boletim: o valor mostrado é um cálculo do Sem Ruído (870 € ÷ 0,91) e, como o rácio está arredondado, fica entre 951 € e 961 €.
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Salário médio e salário mediano não são a mesma coisa

Quando se fala de salários em Portugal, a referência mais comum é o salário médio. A média, porém, pode ser puxada para cima por um pequeno número de salários muito elevados.

A mediana responde a outra pergunta. Se ordenarmos todos os trabalhadores pelo salário que recebem, a mediana é o valor que fica exatamente no centro: metade recebe menos, metade recebe mais. Por isso descreve melhor o que ganha um trabalhador típico.

Nos dados que o Banco de Portugal usa para 2025, trata-se do salário base de trabalhadores por conta de outrem do setor privado abrangidos pelos microdados da Segurança Social.1 Os 91% não descrevem todos os portugueses: o universo e o conceito de remuneração são mais específicos. Mostram, ainda assim, uma aproximação muito grande entre o piso salarial e o centro da distribuição do setor privado.

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De 87% para 91% em seis anos

O indicador que compara o salário mínimo com o salário mediano chama-se, muitas vezes, índice de Kaitz. Na análise do Banco de Portugal com microdados da Segurança Social, passou de cerca de 87% em 2019 para 91% em 2025.1

A subida não aconteceu porque os outros salários deixaram de crescer. Em 2025, o salário mínimo aumentou 6,1%, de 820 para 870 euros.2 Os restantes salários também subiram, mas menos: no primeiro decil, o salário base cresceu em média mais de 8%; no último, perto de 5%.1

O índice reflete vários anos seguidos em que os salários da parte de baixo da distribuição cresceram mais depressa.

O mínimo aproximou-se da medianaÍndice de Kaitz: salário mínimo em % do salário mediano, microdados da Segurança Social
Fonte: Banco de Portugal, Boletim Económico de junho de 2026 (Caixa 5 e nota 26). O Banco de Portugal só publica em texto os valores de 2019 e 2025; os anos intermédios não são mostrados nem estimados. Barras numa escala de 0 a 100%.

O mesmo Boletim mostra a outra face desta evolução. Em 2010, um trabalhador no percentil 90 ganhava 3,4 vezes o salário de um trabalhador no percentil 10. Em 2025, ganhava 2,4 vezes. A distância entre a mediana e o percentil 10 passou de 1,4 para 1,1 vezes.1

Para quem estava na base, é uma melhoria. Significa também que as diferenças entre níveis de remuneração encolheram, e é isso que torna a compressão salarial visível.

A desigualdade salarial caiuQuantas vezes um percentil do salário base ganha o outro · 2010 e 2025
Fonte: Banco de Portugal, Boletim Económico de junho de 2026 (Caixa 5, Gráfico C5.3), microdados da Segurança Social; salário base mensal de trabalhadores por conta de outrem a tempo completo no setor privado. P10 e P90 são os salários abaixo dos quais estão 10% e 90% dos trabalhadores.
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91% e 69%: dois números que medem coisas diferentes

Na comparação europeia do Eurostat, Portugal aparece com outro valor: 69% em 2024.3 À primeira vista, os dois números parecem incompatíveis. Resultam, na verdade, de fontes e universos diferentes.

Os 91% e os 69% medem universos diferentesSalário mínimo em % do salário mediano em Portugal
91%Banco de Portugal · 2025
Microdados da Segurança Social · setor privado, incluindo empresas muito pequenas
69%Eurostat · 2024
Structure of Earnings Survey · só empresas com 10 ou mais trabalhadores

→ Ambos podem estar corretos: medem universos diferentes.

Fontes: Banco de Portugal, Boletim Económico de junho de 2026 (Caixa 5); Eurostat, Minimum wage statistics (Figura 3).

Os 91% do Banco de Portugal baseiam-se nos microdados administrativos da Segurança Social e abrangem praticamente todos os trabalhadores por conta de outrem do setor privado considerados na análise, incluindo os de empresas muito pequenas.1

A comparação harmonizada do Eurostat usa o Structure of Earnings Survey e uma metodologia comum a todos os países. O universo não é o mesmo: exclui, nomeadamente, as empresas com menos de dez trabalhadores.3 Em Portugal, onde as micro e pequenas empresas pesam muito no emprego e tendem a pagar menos, essa exclusão faz diferença.

Os dois indicadores servem para perguntas diferentes. Os 91% ajudam a perceber a distribuição salarial no setor privado português. Os 69% permitem uma comparação internacional mais consistente.

Mesmo nessa segunda métrica, Portugal destaca-se. Na comparação do Eurostat para 2024, tinha o rácio mais elevado entre salário mínimo e salário mediano dos países analisados, à frente da Polónia e da França.3 A diferença de método baixa bastante o valor, mas não altera a posição de Portugal.

Na comparação harmonizada, Portugal tem o rácio mais elevadoSalário mínimo em % do salário mediano bruto, 2024 · metodologia Eurostat
Fonte: Eurostat, Minimum wage statistics, Figura 3 (dados extraídos em julho de 2026). Mediana do Structure of Earnings Survey de 2022, extrapolada para 2024 com a componente salarial do índice de custo do trabalho; empresas com 10 ou mais trabalhadores, secções B a S da CAE exceto O. Para Portugal, o salário mínimo é considerado sem os 13.º e 14.º meses. Alemanha, França e Irlanda: rácio horário. Estónia e Letónia: o texto do Eurostat indica 44% e 48%, o ficheiro de dados indica o inverso; segue-se o ficheiro. Só países da UE com salário mínimo nacional.
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O que significa compressão salarial

Uma distribuição salarial mais comprimida pode significar que quem ganha menos se está a aproximar dos restantes. Em Portugal, isso aconteceu em parte: os aumentos do salário mínimo estão associados à subida dos rendimentos na base da distribuição e à redução da desigualdade salarial. Para quem recebia os salários mais baixos, é uma melhoria real.

Se os salários imediatamente acima do mínimo não crescerem ao mesmo ritmo, encolhe a diferença associada à experiência, à responsabilidade, às qualificações ou à progressão na carreira.

É esta a preocupação do Banco de Portugal. A instituição não conclui que um salário mínimo elevado destrua necessariamente emprego ou produtividade. Alerta para a necessidade de avaliar os efeitos de uma distribuição cada vez mais concentrada em torno do mínimo, incluindo nos incentivos dos trabalhadores e na dinâmica da produtividade.1

A OCDE faz uma recomendação semelhante: dado o peso elevado do salário mínimo face ao mediano, os seus efeitos sobre o emprego devem continuar a ser acompanhados e avaliados.4

A compressão salarial não é, automaticamente, um problema económico. Também não deve ser ignorada.

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O centro da distribuição salarial continua baixo

O salário mínimo pode estar muito perto do mediano não só porque subiu depressa, mas também porque o centro da distribuição salarial portuguesa continua baixo. O Banco de Portugal, a Comissão Europeia e a OCDE apontam vários fatores que ajudam a explicar porquê.

Produtividade

Em 2025, a produtividade do trabalho por hora em Portugal, ajustada às diferenças de poder de compra, correspondia a cerca de 67% da média da União Europeia.5

Produtividade não mede esforço. Mede o valor económico produzido por unidade de trabalho. Um trabalhador com melhores máquinas, melhor software ou processos mais eficientes, ou numa empresa que vende produtos de maior valor, pode produzir muito mais na mesma hora.

Cerca de dois terços da média europeia, há duas décadasProdutividade do trabalho por hora trabalhada, em paridades de poder de compra · UE27 = 100
Fonte: Eurostat, tesem160 (produtividade por hora trabalhada, UE27_2020 = 100), atualizado a 22 de outubro de 2026. O valor de 2025 é provisório. Barras numa escala de 0 a 100, em que 100 é a média da UE.

Capital e investimento

O Banco de Portugal coloca Portugal entre os países europeus com menor intensidade capitalística, ou seja, com menos capital disponível por trabalhador: equipamentos, máquinas, infraestruturas e software.6

A Comissão Europeia identifica também investimento insuficiente e dificuldades das empresas em crescer e em financiar-se com capital. Em 2024, o investimento em venture capital e private equity representava cerca de 0,19% do PIB em Portugal, contra 0,55% na média da União Europeia.7

Estrutura empresarial

Segundo a OCDE, as microempresas, com até nove trabalhadores, concentram cerca de 39% do emprego empresarial em Portugal. Somando as empresas com menos de 50 trabalhadores, a proporção aproxima-se dos 60%.4

Uma empresa pequena não é necessariamente pouco produtiva. Em Portugal, porém, a diferença de produtividade entre empresas pequenas e de maior dimensão é grande, e a OCDE aponta a dificuldade das empresas em ganhar escala como um dos obstáculos ao crescimento da produtividade.

Muito emprego em empresas muito pequenasPercentagem do emprego empresarial em Portugal, por dimensão da empresa, 2023

Empresas com menos de 50 pessoas: cerca de 60% do emprego.

Fonte: OCDE, Economic Survey Portugal 2026, cap. 1 (p. 48 e Figura 1.22), com dados de 2023 do setor empresarial excluindo atividades financeiras. * Valor aproximado por diferença entre 100% e as categorias publicadas; a OCDE não o indica em texto. A produtividade por dimensão aparece apenas no gráfico da OCDE, sem valores publicados; a OCDE conclui que micro e pequenas empresas são «marcadamente menos produtivas», o que descreve uma associação e não prova uma causa.

Qualificações, gestão e instituições

As qualificações da população melhoraram muito nas últimas décadas, mas continuam a existir diferenças face a várias economias europeias, por exemplo nas competências digitais e na formação ao longo da vida. A OCDE chama também a atenção para as qualificações dos gestores das pequenas e médias empresas.4

A Comissão Europeia e a OCDE identificam ainda obstáculos administrativos, processos de licenciamento, o funcionamento dos tribunais administrativos e fiscais e os custos de alguns processos de despedimento como fatores que podem travar o investimento e o crescimento das empresas.74 Daqui não se segue que reduzir impostos, regulamentação ou proteção laboral faça subir automaticamente os salários. Estas instituições são um dos fatores que influenciam a produtividade.

A parte do PIB que vai para salários

Em 2025, a remuneração dos trabalhadores por conta de outrem representava cerca de 48,2% do PIB português e 47,8% na média da União Europeia. O excedente bruto de exploração e rendimento misto pesava 38,6%, contra 41,0%. Os impostos sobre a produção e importações, líquidos de subsídios, 13,3%, contra 11,2%.8 Estes valores não dizem que o resto “fica para os patrões” ou “para o Estado”: o rendimento misto inclui trabalho por conta própria, e aqueles impostos não são a carga fiscal total. Indicam apenas que a parte destinada a quem trabalha por conta de outrem não é inferior à média europeia, numa economia que produz menos valor por hora.

A remuneração dos trabalhadores por conta de outrem representa uma percentagem semelhante do PIBComponentes do PIB pela ótica do rendimento, em % do PIB a preços correntes
  • Remuneração dos trabalhadores por conta de outrem
  • Excedente bruto de exploração e rendimento misto
  • Impostos sobre a produção e importações, líquidos de subsídios
Fonte: Eurostat, nama_10_gdp (D1, B2A3G e D2X3 divididos pelo PIB, B1GQ), atualizado a 22 de outubro de 2026. Os valores de Portugal para 2025 são provisórios. A remuneração dos trabalhadores por conta de outrem não inclui o rendimento do trabalho por conta própria, que está no rendimento misto; por isso estes dados não dizem que «48% vai para os trabalhadores e 52% para empresas e Estado». O excedente não equivale a lucro e os impostos indicados não são a carga fiscal total.
O papel dos impostos

A OCDE considera que a carga fiscal sobre o trabalho é relativamente elevada nos salários baixos e médios, sobretudo em torno do salário mínimo, e recomenda uma composição fiscal que reduza os custos sobre os rendimentos mais baixos.4 A fiscalidade não explica, sozinha, a proximidade entre mínimo e mediana: antes de qualquer imposto, a distribuição dos salários base já está fortemente comprimida.

Onde entra a política

O salário mínimo é fixado por decisão política, depois de ouvidos os parceiros sociais.6 O Estado influencia também as condições que determinam os restantes salários: educação e formação, impostos, obstáculos ao investimento, justiça e administração pública, inovação, regras laborais e negociação coletiva. Nenhuma destas políticas garante, isoladamente, salários mais altos, e há escolhas legítimas sobre como equilibrar proteção dos trabalhadores, competitividade, receitas públicas e crescimento.

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O que acontece quando o mínimo sobe

O salário mínimo tem vários objetivos possíveis: proteger quem ganha menos, aumentar rendimentos, reduzir a desigualdade e fixar um piso para o mercado de trabalho. Em Portugal, os aumentos dos últimos anos tiveram um efeito visível na parte inferior da distribuição, que o Banco de Portugal associa a uma redução significativa da desigualdade salarial.1

Quanto mais o mínimo se aproxima do mediano, mais importa acompanhar os efeitos sobre o emprego, a progressão salarial, a contratação e a produtividade.

A evidência não sustenta regras simples, nem a de que subir o salário mínimo reduz o emprego, nem a de que subir o salário mínimo não tem qualquer custo. Os efeitos dependem da dimensão do aumento, do nível de partida, da produtividade das empresas, do estado do mercado de trabalho e da capacidade das empresas para absorver custos através de margens, preços, produtividade ou reorganização.

Os 91% referem-se a 2025, quando o salário mínimo era de 870 euros. Desde 1 de janeiro de 2026, a remuneração mínima mensal garantida no território continental é de 920 euros, mais 5,7%.9 Os 91% não se aplicam automaticamente a 2026: para calcular o novo rácio é preciso conhecer o salário mediano de 2026, com a mesma metodologia e o mesmo universo.

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O que os dados permitem concluir

O que sabemos. O salário mínimo subiu de 600 para 870 euros entre 2019 e 2025, e os salários na base da distribuição cresceram mais depressa do que os restantes. A desigualdade salarial caiu e o mínimo passou de 87% para 91% do salário base mediano no universo do Banco de Portugal. Na metodologia harmonizada do Eurostat, Portugal tem o rácio mais alto dos países analisados.

O que os dados sugerem. A proximidade entre mínimo e mediana é consistente com duas forças ao mesmo tempo: um mínimo que cresceu depressa e um centro da distribuição que avançou mais devagar. Esse centro baixo coincide com uma produtividade por hora de cerca de dois terços da média europeia, que as instituições citadas associam a menos capital por trabalhador, a muito emprego em empresas pequenas, a diferenças de qualificações e gestão e ao funcionamento das instituições.

O que ainda não é possível determinar. Os dados públicos não permitem isolar quanto da compressão se deve ao salário mínimo e quanto a outros fatores, nem medir já os efeitos de longo prazo sobre o emprego e a progressão na carreira. O rácio de 2026, com o mínimo nos 920 euros, ainda não é conhecido.

O salário mínimo consegue elevar o piso da distribuição. A evolução sustentável dos salários acima do mínimo está, por isso, fortemente ligada à capacidade da economia portuguesa para aumentar a produtividade e o valor produzido por trabalhador.

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Fontes e limites

Os 91% (2025) e os 69% (2024) medem universos diferentes e não devem ser comparados entre si: o primeiro usa os microdados da Segurança Social, com a mediana do salário equivalente a tempo completo do setor privado; o segundo usa o Structure of Earnings Survey de 2022, extrapolado para 2024, só para empresas com 10 ou mais trabalhadores. O Banco de Portugal publica o rácio de 2025, mas não o salário mediano em euros: os valores em euros da mediana mostrados neste artigo são um cálculo do Sem Ruído a partir desse rácio (870 € ÷ 0,91 ≈ 956 €; entre 951 € e 961 €, porque o rácio está arredondado). A percentagem de emprego nas pequenas empresas (10 a 49 pessoas) é aproximada por diferença. Os valores de 2025 das contas nacionais e da produtividade são provisórios. A associação entre dimensão das empresas e produtividade não prova, por si só, uma relação de causa.

  1. Banco de Portugal, Boletim Económico, junho de 2026Caixa 5, “A distribuição dos salários dos trabalhadores por conta de outrem”, pp. 32 a 35: variação por decis (Gráfico C5.2), rácios entre percentis (C5.3) e índice de Kaitz (nota 26). ↗
  2. DGERT, Evolução da retribuição mínima mensal garantidaValores e diplomas de 2019 a 2026, incluindo o Decreto-Lei n.º 112/2024 (870 €). ↗
  3. Eurostat, Minimum wage statisticsFigura 3, salário mínimo em % do salário mediano bruto, 2024; dados extraídos em julho de 2026. ↗
  4. OCDE, Economic Surveys: Portugal 2026Janeiro de 2026; cap. 1, p. 48 e Figura 1.22 (dimensão das empresas), pp. 41 e 44 (carga fiscal sobre o trabalho), p. 50 (gestores), p. 70 (despedimentos) e p. 80 (salário mínimo). ↗
  5. Eurostat, Produtividade do trabalho por pessoa empregada e por hora trabalhadaDataset tesem160, por hora trabalhada (UE27_2020 = 100). ↗
  6. Banco de Portugal, Boletim Económico, março de 2025Caixa 4, intensidade capitalística na UE (Gráfico C4.4); Políticas em análise, “A retribuição mínima mensal garantida em Portugal”. ↗
  7. Comissão Europeia, 2026 Country Report: PortugalSWD(2026) 222, pp. 10 e 11: capital de risco e private equity, escala das empresas, licenciamento e tribunais administrativos e fiscais. ↗
  8. Eurostat, PIB e principais componentesDataset nama_10_gdp: D1, B2A3G e D2X3 em % de B1GQ, 2025. ↗
  9. Decreto-Lei n.º 139/2025, de 29 de dezembroRetribuição mínima mensal garantida de 920 € a partir de 1 de janeiro de 2026, no território continental (art. 2.º). ↗
Economy · Wages and productivity

Why is the minimum wage so close to the median wage in Portugal?

In 2025 the minimum wage was 91% of the median wage in the universe analysed by Banco de Portugal. But that figure does not, on its own, mean the minimum wage is too high.

In brief

Two forces at once

  1. The minimum grew fast.It went from €600 in 2019 to €870 in 2025, when it was 91% of the median wage in the universe analysed by Banco de Portugal.
  2. Wages above it did not pull away at the same pace.Wage inequality fell, and the distribution became more concentrated close to the minimum.
  3. The middle of the distribution is still low.Each hour worked produces about two-thirds of the EU average.
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€870 and the median: why it matters

In 2025 Portugal's guaranteed minimum monthly wage was 870 euros.2 According to Banco de Portugal, it was 91% of the median base wage of private-sector employees.1

If the minimum is 91% of the median, the median is around 950 to 960 euros. Less than 100 euros separate the legal wage floor from the middle of the distribution.

The figure on its own does not show that raising the minimum wage is a problem. Nor does it show that other wages are low only because the minimum has risen.

It comes at a time when wage inequality has fallen, but it also reveals a growing concentration of wages at the bottom of the distribution. This is what is called wage compression.

This article looks at why the minimum wage has moved so close to the median wage. The data point to two forces: the minimum wage grew quickly, and wages above it did not pull away at the same pace.

Gap between the minimum wage and the median wage in 2025, and the minimum wage from 2019 to 2026
In 2025 the minimum was less than €100 below the medianMonthly base wage, private sector · illustrative

The minimum is 91% of the median.

The minimum wage has risen by €320 since 2019Guaranteed minimum monthly wage, in euros
Sources: DGERT (history of the guaranteed minimum monthly wage); Banco de Portugal, Social Security microdata (91% ratio). Positions on the line are not to scale. Banco de Portugal does not publish the median in euros in its Bulletin: the value shown is Sem Ruído's calculation (€870 ÷ 0.91) and, because the ratio is rounded, lies between €951 and €961.
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The average wage and the median wage are not the same thing

When people talk about wages in Portugal, the usual reference is the average wage. The average, however, can be pulled up by a small number of very high wages.

The median answers a different question. If we rank all workers by the wage they earn, the median is the value exactly in the middle: half earn less, half earn more. That is why it better describes what a typical worker earns.

In the data Banco de Portugal uses for 2025, this is the base wage of private-sector employees covered by Social Security microdata.1 The 91% does not describe all Portuguese people: the universe and the pay concept are more specific. Even so, it shows a very close convergence between the wage floor and the middle of the private-sector distribution.

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From 87% to 91% in six years

The indicator that compares the minimum wage with the median wage is often called the Kaitz index. In Banco de Portugal's analysis of Social Security microdata, it rose from about 87% in 2019 to 91% in 2025.1

The rise did not happen because other wages stopped growing. In 2025 the minimum wage rose by 6.1%, from 820 to 870 euros.2 Other wages rose too, but less: in the bottom decile, base wages grew by more than 8% on average; in the top decile, by close to 5%.1

The index reflects several consecutive years in which wages at the bottom of the distribution grew faster.

The minimum has moved closer to the medianKaitz index: minimum wage as a % of the median wage, Social Security microdata
Source: Banco de Portugal, Economic Bulletin, June 2026 (Box 5 and footnote 26). Banco de Portugal publishes only the 2019 and 2025 values in its text; the years in between are neither shown nor estimated. Bars on a 0–100% scale.

The same Bulletin shows the other side of this trend. In 2010 a worker at the 90th percentile earned 3.4 times as much as a worker at the 10th percentile. In 2025, 2.4 times. The gap between the median and the 10th percentile went from 1.4 to 1.1 times.1

For those at the bottom, that is an improvement. It also means the differences between pay levels have shrunk, and that is what makes wage compression visible.

Wage inequality has fallenHow many times one percentile of the base wage earns another · 2010 and 2025
Source: Banco de Portugal, Economic Bulletin, June 2026 (Box 5, Chart C5.3), Social Security microdata; monthly base wage of full-time private-sector employees. P10 and P90 are the wages below which 10% and 90% of workers fall.
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91% and 69%: two numbers that measure different things

In Eurostat's European comparison, Portugal appears with a different figure: 69% in 2024.3 At first sight the two numbers look incompatible. In fact they come from different sources and different universes.

The 91% and the 69% measure different universesMinimum wage as a % of the median wage in Portugal
91%Banco de Portugal · 2025
Social Security microdata · private sector, including very small firms
69%Eurostat · 2024
Structure of Earnings Survey · firms with 10 or more employees only

→ Both can be right: they measure different universes.

Sources: Banco de Portugal, Economic Bulletin, June 2026 (Box 5); Eurostat, Minimum wage statistics (Figure 3).

Banco de Portugal's 91% is based on administrative Social Security microdata and covers practically all private-sector employees included in the analysis, including those in very small firms.1

Eurostat's harmonised comparison uses the Structure of Earnings Survey and a method common to all countries. The universe is not the same: in particular, it excludes firms with fewer than ten employees.3 In Portugal, where micro and small firms account for a large share of employment and tend to pay less, that exclusion makes a difference.

The two indicators answer different questions. The 91% helps us understand the wage distribution in Portugal's private sector. The 69% allows a more consistent international comparison.

Even on that second measure, Portugal stands out. In Eurostat's comparison for 2024, it had the highest ratio of minimum to median wage of the countries analysed, ahead of Poland and France.3 The difference in method lowers the figure considerably, but it does not change Portugal's position.

On the harmonised comparison, Portugal has the highest ratioMinimum wage as a % of median gross earnings, 2024 · Eurostat methodology
Source: Eurostat, Minimum wage statistics, Figure 3 (data extracted July 2026). Median from the 2022 Structure of Earnings Survey, extrapolated to 2024 with the wage component of the labour cost index; enterprises with 10 or more employees, NACE sections B to S except O. For Portugal the minimum wage excludes the 13th and 14th monthly payments. Germany, France and Ireland: hourly ratio. Estonia and Latvia: Eurostat's text gives 44% and 48%, its data file the reverse; the data file is followed. EU countries with a national minimum wage only.
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What wage compression means

A more compressed wage distribution can mean that those who earn least are catching up with the rest. In Portugal that happened in part: minimum wage increases are associated with higher incomes at the bottom of the distribution and with lower wage inequality. For those on the lowest wages, that is a real improvement.

If wages just above the minimum do not grow at the same pace, the pay difference associated with experience, responsibility, qualifications or career progression shrinks.

That is Banco de Portugal's concern. The bank does not conclude that a high minimum wage necessarily destroys jobs or productivity. It warns that the effects of a distribution increasingly concentrated around the minimum need to be assessed, including on workers' incentives and on productivity growth.1

The OECD makes a similar recommendation: given how high the minimum wage is relative to the median, its effects on employment should continue to be monitored and assessed.4

Wage compression is not automatically an economic problem. Nor should it be ignored.

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The middle of the wage distribution is still low

The minimum wage may be very close to the median not only because it rose quickly, but also because the middle of the Portuguese wage distribution is still low. Banco de Portugal, the European Commission and the OECD point to several factors that help explain why.

Productivity

In 2025, labour productivity per hour in Portugal, adjusted for differences in purchasing power, was about 67% of the European Union average.5

Productivity does not measure effort. It measures the economic value produced per unit of work. A worker with better machines, better software or more efficient processes, or in a firm that sells higher-value products, can produce much more in the same hour.

About two-thirds of the EU average, for two decadesLabour productivity per hour worked, in purchasing power standards · EU27 = 100
Source: Eurostat, tesem160 (labour productivity per hour worked, EU27_2020 = 100), updated 22 October 2026. The 2025 value is provisional. Bars on a 0–100 scale, where 100 is the EU average.

Capital and investment

Banco de Portugal places Portugal among the European countries with the lowest capital intensity, that is, with the least capital available per worker: equipment, machinery, infrastructure and software.6

The European Commission also points to insufficient investment and to firms' difficulty in growing and raising equity finance. In 2024, venture capital and private equity investment amounted to about 0.19% of GDP in Portugal, against 0.55% on average in the European Union.7

Business structure

According to the OECD, micro firms, with up to nine employees, account for about 39% of business employment in Portugal. Adding firms with fewer than 50 employees, the share approaches 60%.4

A small firm is not necessarily unproductive. In Portugal, however, the productivity gap between small and larger firms is large, and the OECD points to firms' difficulty in scaling up as one of the obstacles to productivity growth.

Much of the employment is in very small firmsShare of business employment in Portugal, by firm size, 2023

Firms with fewer than 50 people: about 60% of employment.

Source: OECD, Economic Survey Portugal 2026, ch. 1 (p. 48 and Figure 1.22), 2023 data for the business sector excluding financial activities. * Approximate value, by difference between 100% and the published categories; the OECD does not give it in its text. Productivity by firm size appears only in the OECD's chart, with no published values; the OECD concludes that micro and small firms are "markedly less productive", which describes an association, not a proven cause.

Skills, management and institutions

The population's qualifications have improved greatly in recent decades, but gaps remain compared with several European economies, for example in digital skills and lifelong learning. The OECD also highlights the qualifications of managers of small and medium-sized firms.4

The European Commission and the OECD also identify administrative obstacles, licensing procedures, the functioning of the administrative and tax courts and the costs of some dismissal procedures as factors that may hold back investment and business growth.74 It does not follow that cutting taxes, regulation or employment protection automatically raises wages. These institutions are one of the factors that influence productivity.

The share of GDP that goes to wages

In 2025, compensation of employees was about 48.2% of Portugal's GDP and 47.8% on average in the European Union. Gross operating surplus and mixed income was 38.6%, against 41.0%. Taxes on production and imports less subsidies, 13.3%, against 11.2%.8 These figures do not say that the rest "goes to the bosses" or "to the state": mixed income includes self-employed work, and those taxes are not the total tax burden. They show only that the share going to employees is not below the European average, in an economy that produces less value per hour.

Compensation of employees is a similar share of GDPComponents of GDP by the income approach, as a % of GDP at current prices
  • Compensation of employees
  • Gross operating surplus and mixed income
  • Taxes on production and imports less subsidies
Source: Eurostat, nama_10_gdp (D1, B2A3G and D2X3 divided by GDP, B1GQ), updated 22 October 2026. Portugal's 2025 values are provisional. Compensation of employees excludes the labour income of the self-employed, which sits in mixed income; so these data do not say that "48% goes to workers and 52% to firms and the state". The surplus is not the same as profit and the taxes shown are not the total tax burden.
The role of taxes

The OECD considers the tax burden on labour relatively high for low and middle wages, especially around the minimum wage, and recommends a tax mix that reduces costs on lower incomes.4 Taxation alone does not explain how close the minimum is to the median: before any tax, the distribution of base wages is already strongly compressed.

Where politics comes in

The minimum wage is set by political decision, after consulting the social partners.6 The state also shapes the conditions that determine other wages: education and training, taxes, obstacles to investment, justice and public administration, innovation, labour rules and collective bargaining. None of these policies, on its own, guarantees higher wages, and there are legitimate choices about how to balance worker protection, competitiveness, public revenue and growth.

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What happens when the minimum rises

The minimum wage has several possible aims: protecting those who earn least, raising incomes, reducing inequality and setting a floor for the labour market. In Portugal, the increases of recent years have had a visible effect on the bottom of the distribution, which Banco de Portugal links to a significant fall in wage inequality.1

The closer the minimum gets to the median, the more it matters to monitor the effects on employment, wage progression, hiring and productivity.

The evidence does not support simple rules, neither that raising the minimum wage reduces employment nor that raising the minimum wage has no cost at all. The effects depend on the size of the increase, the starting level, firms' productivity, the state of the labour market and firms' ability to absorb costs through margins, prices, productivity or reorganisation.

The 91% refers to 2025, when the minimum wage was 870 euros. Since 1 January 2026, the guaranteed minimum monthly wage in mainland Portugal has been 920 euros, 5.7% more.9 The 91% does not automatically apply to 2026: calculating the new ratio requires the 2026 median wage, with the same method and the same universe.

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What the data allow us to conclude

What we know. The minimum wage rose from 600 to 870 euros between 2019 and 2025, and wages at the bottom of the distribution grew faster than the rest. Wage inequality fell, and the minimum went from 87% to 91% of the median base wage in Banco de Portugal's universe. On Eurostat's harmonised method, Portugal has the highest ratio of the countries analysed.

What the data suggest. How close the minimum is to the median is consistent with two forces at once: a minimum that grew quickly and a middle of the distribution that advanced more slowly. That low middle coincides with productivity per hour of about two-thirds of the European average, which the institutions cited associate with less capital per worker, much employment in small firms, gaps in skills and management, and how institutions work.

What cannot yet be determined. Public data do not allow us to isolate how much of the compression is due to the minimum wage and how much to other factors, nor to measure the long-term effects on employment and career progression. The 2026 ratio, with the minimum at 920 euros, is not yet known.

The minimum wage can raise the floor of the distribution. The sustained growth of wages above the minimum is therefore closely tied to the Portuguese economy's ability to raise productivity and the value produced per worker.

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Sources and limits

The 91% (2025) and the 69% (2024) measure different universes and should not be compared with each other: the first uses Social Security microdata, with the median full-time-equivalent wage in the private sector; the second uses the 2022 Structure of Earnings Survey, extrapolated to 2024, for firms with 10 or more employees only. Banco de Portugal publishes the 2025 ratio but not the median wage in euros: the euro values for the median in this article are Sem Ruído's calculation from that ratio (€870 ÷ 0.91 ≈ €956; between €951 and €961, because the ratio is rounded). The employment share of small firms (10 to 49 people) is approximated by difference. The 2025 national accounts and productivity figures are provisional. The association between firm size and productivity does not, on its own, prove a causal relationship.

  1. Banco de Portugal, Boletim Económico, junho de 2026Box 5, "A distribuição dos salários dos trabalhadores por conta de outrem", pp. 32 to 35: wage growth by decile (Chart C5.2), percentile ratios (C5.3) and Kaitz index (footnote 26). ↗
  2. DGERT, Evolução da retribuição mínima mensal garantidaAmounts and decrees from 2019 to 2026, including Decree-Law 112/2024 (€870). ↗
  3. Eurostat, Minimum wage statisticsFigure 3, minimum wage as a % of median gross earnings, 2024; data extracted July 2026. ↗
  4. OECD, Economic Surveys: Portugal 2026January 2026; ch. 1, p. 48 and Figure 1.22 (firm size), pp. 41 and 44 (labour tax wedge), p. 50 (managers), p. 70 (dismissals) and p. 80 (minimum wage). ↗
  5. Eurostat, Labour productivity per person employed and hour workedDataset tesem160, per hour worked (EU27_2020 = 100). ↗
  6. Banco de Portugal, Boletim Económico, março de 2025Box 4, capital intensity in the EU (Chart C4.4); policy analysis "A retribuição mínima mensal garantida em Portugal". ↗
  7. European Commission, 2026 Country Report: PortugalSWD(2026) 222, pp. 10 and 11: venture capital and private equity, firm scale-up, licensing and the administrative and tax courts. ↗
  8. Eurostat, GDP and main componentsDataset nama_10_gdp: D1, B2A3G and D2X3 as a % of B1GQ, 2025. ↗
  9. Decreto-Lei n.º 139/2025, de 29 de dezembroGuaranteed minimum monthly wage of €920 from 1 January 2026, in mainland Portugal (art. 2). ↗

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