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Estado da cobertura

O que já está documentado, e o que ainda não está.

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Evidência antes da interpretação

Um percurso claro entre o resumo e a fonte.

A assistência automática pode identificar excertos candidatos. Pessoas reveem o que é publicado. Os resultados metodológicos provêm de regras fixas — não da intuição de um modelo.

Exemplo de interface · não é uma afirmação política
P
Partido de exemplo · HabitaçãoPosição política ilustrativa
Evidência moderada

Propõe alterar a oferta de habitação para arrendamento de longa duração através de um mecanismo político definido.

Programa oficial

“O excerto relevante exato aparece aqui, acompanhado de contexto suficiente para avaliar o seu significado.”

Documento · p. 18 · Consultado em 24 out. 2026
03

Tipos de evidência distintos

Palavras, propostas e votos não são a mesma coisa.

O que o partido diz

Programas eleitorais, estatutos e páginas oficiais de políticas.

O que propõe

Projetos de lei, alterações, resoluções e outras iniciativas formais.

Como vota

Registos parlamentares oficiais, preservados no seu nível real de detalhe.

O que comunica

Comunicados oficiais e declarações atribuíveis a representantes.

Concebido para ser escrutinado

Menos certezas encenadas.
Mais contexto verificável.

O Sem Ruído não decide que partido é bom ou mau. Oferece uma forma estruturada de consultar os factos e tirar as suas próprias conclusões.

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Portugal · Cobertura inicial

Partidos políticos

Consulte os partidos atualmente inscritos através da mesma estrutura de evidência. O Tribunal Constitucional é a referência canónica; divergências institucionais ficam registadas.

23 partidos com informação publicada

Partidos→Partido
P
Portugal · Perfil do partido

Partido

Nome oficial

Informação básica Fontes primárias verificadasVerificado em 24 de outubro de 2026

Informação básica

A liderança provém do site oficial do partido. O registo e a representação provêm de registos institucionais públicos.

Perfil verificado

Liderança atual

— —

Fundação

— Data declarada pelo partido

Registo oficial

— Data de inscrição institucional

Representação na Assembleia

— deputados XVII Legislatura

Contexto eleitoral

— —

Site oficial

— Fonte controlada pelo partido

Atividade parlamentar

Projetos de lei do partido e votações finais globais na Assembleia da República, XVII Legislatura

    Resultados eleitorais

    Como se apresentou às eleições recentes

    Resultados dos mapas oficiais da CNE. Quando o partido concorreu em coligação, o resultado é da coligação e assim identificado.

    Cobertura da evidência

    O que está atualmente documentado

    As lacunas de cobertura permanecem visíveis. A plataforma nunca infere uma posição a partir do silêncio.

    O que o partido diz0elementos revistos
    O que propõe formalmente0iniciativas revistas
    Como vota0votações revistas
    O que comunica0declarações revistas
    Índice de políticas

    Explorar por tema

    Comece por um tema e compare o que os partidos dizem, propõem e votam. A ausência de evidência permanece visível em vez de ser preenchida com suposições.

    25 temas

    Mapa de cobertura

    Que partidos têm evidência revista em cada tema

    Uma célula vazia significa que ainda não foi publicada evidência revista, não que o partido não tenha posição. Os partidos aparecem por ordem alfabética.

    Posição do próprio partidoApenas no programa da coligaçãoSem evidência revista
    Temas→Tema
    Tema

    Tema

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    Partidos por ordem alfabética; a ordem não indica relevância. Cada posição mostra o excerto exato, a página e a fonte original.

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    Veja dois partidos lado a lado neste tema, com a mesma estrutura de evidência para ambos.

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    Registo de definições

    Conceitos políticos

    Termos controversos podem ter vários quadros teóricos aceites. Cada definição conserva o seu autor, critérios, fonte e versão.

    Registo de definições

    Conceito

    Podem coexistir várias definições académicas. Cada quadro teórico permanece consultável nos seus próprios termos.

    Definição de referência

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    Nota editorial

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    Casos documentados

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    Exemplos reais em que ideias, instituições ou políticas associadas ao conceito foram aplicadas. Cada caso separa classificação, medidas, resultados e causalidade.

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    Quiz Político

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    Questionário político 5–7 min
    28perguntas

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    Contexto da afirmação

    Mais contexto

    Argumentos possíveis para ponderar antes de responder — não indicam uma resposta certa.

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    e
    Contexto eleitoral

    Eleições

    Partidos, coligações e documentos eleitorais são entidades distintas. A participação numa eleição é apresentada no contexto histórico correspondente.

    Eleições→Eleição
    Eleição legislativa · Portugal

    Eleição

    Resultados oficiais

    Resultados nacionais

    Entidades eleitorais

    Partidos e coligações referidos pela CNE

    Esta lista documenta o contexto eleitoral. Não implica que todas as entidades tenham concorrido em todos os círculos.

    Coligações

    Composição e documentos próprios

    Os programas das coligações pertencem à coligação e não são automaticamente atribuídos a cada partido membro.

    Notas de leitura

    O que convém saber sobre estes dados

    Observações retiradas dos mapas oficiais ou da forma como a ficha foi construída.

      Fontes oficiais

      Documentação institucional

      Ligações diretas para os documentos das instituições que publicaram os dados.

      Análise baseada em dados

      Artigos

      Leituras de contexto que juntam dados oficiais, distinguem factos de interpretações e tornam visíveis os limites das fontes.

      Habitação · Dados e contexto

      Estado da Habitação em Portugal: Principais Fatores

      Construção baixa, procura em crescimento e uma oferta que reage devagar ajudam a explicar a crise — sem reduzir o problema a uma causa única.

      26 de outubro de 2026 · 12 minLer análise →
      Habitação · Lei em discussão

      Nova lei das rendas: o que muda — e o que ainda não mudou

      Contratos, cauções, rendas, despejos e contratos antigos: o conteúdo da proposta do Governo, a votação e os efeitos possíveis para inquilinos e senhorios.

      26 de outubro de 2026 · 11 minLer análise →
      Habitação · Compradores e investimento

      Quem está a comprar as casas em Portugal?

      Estrangeiros têm um peso relevante, mas a maioria vive no país. Naturalidade, residência fiscal, Golden Visa e fundos não medem a mesma coisa.

      26 de outubro de 2026 · 10 minLer análise →
      Artigos→Habitação
      Habitação · Dados e contexto

      Estado da Habitação em Portugal: Principais Fatores

      A crise não cabe numa explicação única. Os dados apontam para uma combinação de construção historicamente baixa, crescimento rápido da procura em zonas pressionadas e uma oferta que demora a responder.

      Em síntese

      Três forças atuam ao mesmo tempo

      1. Constrói-se muito menos do que no início do século.A recuperação recente parte de um nível historicamente baixo.
      2. A população cresceu depressa.O saldo migratório aumentou a procura, sobretudo em municípios onde a oferta não acompanhou.
      3. As casas demoram a chegar ao mercado.Licenciamento, projeto, financiamento, construção e infraestrutura criam um desfasamento de anos.
      00

      O diagnóstico: um desencontro, não uma causa isolada

      Uma casa é um bem lento de produzir e muito dependente do lugar. Quando mais pessoas procuram habitação numa área e o número de casas disponíveis não cresce ao mesmo ritmo, aumenta a competição por cada imóvel. Preços de venda e rendas tendem a subir; quem tem rendimentos mais baixos é empurrado para zonas mais distantes, casas menores ou situações de sobrelotação.

      Esta relação não significa que todas as subidas tenham a mesma origem. Taxas de juro, rendimento, turismo, alojamento local, casas vazias, fiscalidade, custos de construção e habitação pública também alteram o mercado. A leitura mais consistente dos dados é, por isso, cumulativa: procura adicional encontrou uma oferta escassa e pouco rápida.1

      01

      Portugal passou uma geração a construir menos

      Em 2002 foram concluídas 130 247 casas novas. Em 2025 foram 30 425 — cerca de 23% daquele volume. O ponto mais baixo ocorreu em 2015, com 9 625 casas. Desde então existe recuperação, mas o país continua longe do ritmo do início do século.2

      Da expansão ao mínimo — e à recuperaçãoCasas novas concluídas; licenças nos 12 meses até ago. 2026
      * Licenças não equivalem a casas concluídas. Fonte: INE.

      Há um sinal de mudança: nos 12 meses até agosto de 2026 foram licenciadas 43 215 casas novas. As licenças, porém, não são casas prontas. Segundo a série analisada, as conclusões chegam em média um a dois anos depois. O aumento atual só aliviará a escassez se os projetos avançarem e se estiver localizado onde a procura é maior.3

      Atenção às séries

      O INE publica duas séries de casas concluídas. A série longa regista 30 425 em 2025; a série de estimativas de obras concluídas, usada em repartições por promotor e tipologia, regista 27 301. Têm métodos diferentes e não devem ser misturadas.

      02

      Mais residentes, com forte concentração territorial

      Entre 2019 e 2025, Portugal ganhou 1 090 535 residentes e concluiu 170 871 casas novas: 6,4 pessoas adicionais por cada casa concluída. Quase todo o crescimento populacional resultou do saldo migratório, porque o saldo natural foi negativo.4

      +1,09 Mresidentes
      2019–2025
      170 871casas novas
      2019–2025
      6,4pessoas adicionais
      por casa nova
      A mudança de regime depois de 2019Variação de residentes e casas novas concluídas, em milhares
      A comparação mostra escala; não atribui causalidade. Fonte: INE, compilação Analisa.

      Isto mede pessoas, não nacionalidades. O saldo migratório inclui entradas e saídas de portugueses e estrangeiros. E a comparação não prova que a imigração, isoladamente, “causou” os preços: mostra a escala do aumento da procura perante a produção de novas casas.

      O desencontro também foi geográfico. Entre 2022 e 2025, os 77 municípios que cresceram mais depressa do que o país receberam 70% dos novos residentes, mas apenas 45% das casas licenciadas. Lisboa, Sintra, Loures e Amadora combinaram crescimento elevado com licenciamento abaixo da média.5

      O crescimento concentrou-se mais do que as licençasQuota dos 77 municípios que cresceram acima da média, 2022–2025
      Fonte: INE. A distribuição nacional restante corresponde a 30% e 55%, respetivamente.
      03

      A oferta reage devagar

      Mesmo quando a procura é visível, a construção não responde de imediato. É necessário encontrar solo urbanizável, desenhar, licenciar, financiar, contratar e construir. Redes de água, saneamento, transportes e equipamentos públicos também condicionam a densidade possível. A burocracia é uma parte deste percurso; não é a única.

      Uma licença antecipa a conclusãoSequência simplificada; o intervalo observado entre licença e conclusão é, em média, de 1 a 2 anos
      1–2 anos, em média

      Os dados nacionais disponíveis medem bem licenças e conclusões, mas não permitem atribuir uma parcela exata do atraso à administração. Ainda assim, o desfasamento médio de um a dois anos entre licenciamento e conclusão e a diferença entre municípios mostram por que razão uma subida súbita da procura pode produzir pressão antes de surgir nova oferta.

      Simplificar procedimentos, tornar os prazos previsíveis e permitir mais habitação onde já existem emprego e transportes pode acelerar a resposta. Mas licenciar mais só é eficaz quando os projetos chegam à construção e produzem casas adequadas aos rendimentos e à dimensão dos agregados.

      04

      Os preços afastaram-se dos custos e dos rendimentos

      Desde 2015, o índice de preços da habitação subiu 201% em Portugal, contra 69% na União Europeia. Num período mais recente, desde 2021, os preços portugueses subiram 79% e os custos de construção nova 33%. Os custos de materiais e mão de obra contam, mas a diferença mostra que não explicam toda a valorização.611

      Preços muito acima da referência europeia e dos custosÍndices comparáveis dentro de cada painel; ano inicial = 100
      Desde 2015
      Desde 2021
      Fonte: Eurostat. Os dois painéis têm anos-base diferentes e não devem ser cruzados.

      No arrendamento, a renda mediana dos novos contratos passou de 5,56 €/m² no 1.º trimestre de 2020 para 9,76 €/m² no 2.º trimestre de 2026: mais 76%.7 Em 2025, 27,2% dos inquilinos a preço de mercado viviam em agregados que gastavam mais de 40% do rendimento disponível com habitação, contra 18,6% na União Europeia.12

      Evolução das rendas e do esforço para comprar habitação
      Renda dos novos contratosMediana por m², últimos 12 meses
      Esforço para comprar 90 m²Simulação com 90% de crédito a 30 anos
      Fontes: INE e Eurostat; cálculo de esforço do Analisa. A simulação não descreve cada família.
      05

      Há casas fora do mercado, mas não formam uma reserva homogénea

      Os Censos 2021 contaram 5,97 milhões de alojamentos familiares clássicos. Destes, 69,4% eram residência habitual, 18,5% residência secundária ou sazonal e 12,1% estavam vagos. Das 723 215 casas vagas, 348 097 estavam à venda ou para arrendar e 375 118 estavam vazias por outros motivos.8

      Como era usado o parque habitacional em 2021Distribuição dos alojamentos familiares clássicos
      • Residência habitual 69,4%
      • Secundária/sazonal 18,5%
      • Vaga no mercado 5,8%
      • Vaga por outros motivos 6,3%

      Uma casa vazia pode estar longe dos centros de emprego, precisar de obras, estar numa herança indivisa ou não corresponder à tipologia procurada. Ainda assim, 154 962 casas estavam vazias, fora do mercado, em edifícios que não necessitavam de reparação — um conjunto relevante para políticas de mobilização, embora os dados não revelem a situação jurídica de cada imóvel.

      O alojamento local também tem um efeito territorial desigual. No continente existem cerca de dois registos ativos por cada 100 casas; em Santa Maria Maior, no centro de Lisboa, são 41 por cada 100. O valor nacional pode esconder pressão intensa em zonas turísticas, mas a concentração não permite concluir que o alojamento local explique sozinho a subida nacional das rendas.1

      Alojamento local: média nacional, impacto localRegistos ativos por cada 100 casas
      Fonte: RNAL/Turismo de Portugal, compilação Analisa. Santa Maria Maior é um caso extremo, não uma média urbana.
      06

      Não basta contar casas: importa o tipo e quem as consegue pagar

      Os agregados ficaram mais pequenos. Nos Censos 2021, 58% tinham uma ou duas pessoas. Entre as casas concluídas em 2025, apenas 17% eram T0 ou T1, 28% T2 e 55% T3 ou maiores. Não existe correspondência automática — um casal pode precisar de um T2 ou T3 —, mas a comparação ajuda a perceber se a produção acompanha a composição das famílias.9

      Agregados pequenos, construção ainda concentrada em T3+Percentagem do respetivo total
      Fontes: Censos 2021 e Estatísticas das Obras Concluídas, INE.

      A habitação pública voltou a ganhar escala com o PRR e o 1.º Direito. Em 2025, entidades públicas adjudicaram 738,2 milhões de euros em obras de habitação, 16 vezes a média de 2015–2019. Os contratos de construção nova que indicavam quantidade somavam pelo menos 1 162 casas; 34% dos concursos lançados nesse ano foram alterados ou relançados.10

      738,2 M€obras públicas de habitação
      adjudicadas em 2025
      ≥1 162casas novas identificadas
      nos contratos
      34%dos concursos alterados
      ou relançados

      Os contratos mostram mais atividade do que as licenças municipais porque as obras públicas estão frequentemente isentas de controlo prévio municipal e muitos programas compram ou reabilitam casas existentes. Ao mesmo tempo, a reabilitação privada continua pequena: em 2025 houve 2,3 reconstruções por cada 100 edifícios novos concluídos.

      07

      O que retirar destes dados

      A leitura mais sólida é a de um problema de quantidade, localização, tempo e acesso. Portugal construiu pouco durante muitos anos; a procura cresceu depressa e concentrou-se; a produção não conseguiu ajustar-se no mesmo prazo. Ao mesmo tempo, parte do parque está vazio, a oferta pública é limitada e os rendimentos não acompanharam os preços.

      Isso sugere uma resposta com várias frentes: aumentar e acelerar a oferta nas zonas pressionadas; reabilitar e mobilizar casas devolutas viáveis; expandir habitação pública e acessível; alinhar construção com transportes e infraestruturas; e proteger quem enfrenta custos incomportáveis enquanto a oferta demora a chegar. Apoios à procura, quando não são acompanhados por mais oferta, podem sobretudo aumentar a capacidade de licitar por um stock que continua escasso.

      A imigração faz parte da evolução da procura, mas não é uma explicação suficiente nem uma política de habitação. O foco útil está na velocidade e na geografia da mudança populacional, na capacidade de resposta da oferta e em quem suporta o custo do desfasamento.

      Os dados sustentam
      • Mais oferta nas zonas com procura e infraestrutura
      • Licenciamento previsível e acompanhamento até à conclusão
      • Habitação pública, reabilitação e mobilização do stock viável
      • Apoio dirigido a quem enfrenta esforço excessivo
      Os dados não sustentam, por si só
      • Uma causa única para a crise
      • Confundir licenças com casas disponíveis
      • Tratar todas as casas vagas como imediatamente habitáveis
      • Extrapolar um caso turístico para todo o país
      08

      Fontes e limites

      Os valores de 2021 em diante sobre construção são preliminares e as conclusões de 2024 e 2025 são estimativas do INE. A comparação entre população e casas mede escala, não causalidade. Os dados de casas vagas vêm dos Censos 2021 e não descrevem a situação atual de cada imóvel.

      1. Analisa — Habitação em PortugalRelatório integrado de construção, população, preços e acesso; consultado em 26 out. 2026. ↗
      2. INE — Fogos concluídos em construções novas (série longa)Indicador 0011725. ↗
      3. INE — Fogos licenciados em construções novasIndicador 0012098. ↗
      4. INE — Indicadores demográficosSaldo natural e saldo migratório, indicador 0013179. ↗
      5. INE — População residente por municípioIndicador 0012917. ↗
      6. Eurostat — House price indexDataset prc_hpi_q. ↗
      7. INE — Renda mediana dos novos contratosIndicador 0014696. ↗
      8. INE — Alojamentos familiares clássicos por forma de ocupaçãoCensos 2021, indicador 0012501. ↗
      9. INE — Fogos concluídos por tipologiaEstimativas das obras concluídas, indicador 0013248. ↗
      10. Portal BASE — Contratos públicosEmpreitadas de habitação, compiladas e classificadas pelo Analisa. ↗
      11. Eurostat — Custos de construção novaDataset sts_copi_q. ↗
      12. Eurostat — Sobrecarga das despesas com habitaçãoDataset ilc_lvho07c, por regime de ocupação. ↗
      Artigos→Arrendamento
      Habitação · Lei em discussão

      Nova lei das rendas: o que muda — e o que ainda não mudou

      A Proposta de Lei n.º 103/XVII altera o equilíbrio entre liberdade contratual, segurança do senhorio e estabilidade do inquilino. Foi aprovada na generalidade, mas ainda não é uma lei em vigor.

      Em síntese

      O essencial antes dos detalhes

      1. Ainda é uma proposta.As regras atuais continuam em vigor até existir texto final, promulgação, publicação e o decreto-lei autorizado.
      2. Reduz risco e rigidez para os senhorios.Facilita a recuperação do imóvel, flexibiliza contratos e amplia as garantias negociáveis.
      3. Aumenta riscos de entrada e instabilidade para inquilinos.O benefício prometido — mais casas e rendas mais baixas — é indireto e depende de a oferta realmente aumentar.
      00

      Não há ainda uma “nova lei” aplicável

      A iniciativa do Governo é uma autorização legislativa: a Assembleia define em que matérias e com que limites o Governo poderá legislar. A proposta foi aprovada na generalidade em 30 de setembro de 2026 e baixou à Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação para discussão na especialidade.1

      O texto pode mudar

      PSD e Chega anunciaram um entendimento para rever cauções e rendas antecipadas, proteger melhor contratos antigos de pessoas vulneráveis, reforçar a resposta social e distinguir incumprimento deliberado de dificuldade temporária. Enquanto essas alterações não forem votadas, a análise abaixo descreve a proposta que entrou no Parlamento — não um resultado final.6

      01

      O que a proposta pretende mudar

      A reforma cobre o NRAU, o Código Civil, o processo de despejo, as obras em prédios arrendados e contratos anteriores a 1990. Estas são as diferenças com impacto mais direto no arrendamento habitacional.2

      Renda de um novo contratoPreço
      Hoje

      Em certos imóveis arrendados nos cinco anos anteriores, a nova renda está limitada pela última renda, acrescida dos coeficientes permitidos.

      Proposta

      Revoga o limite transitório do artigo 34.º da Lei n.º 56/2023 e devolve a fixação da renda ao acordo entre as partes.

      Rendas antecipadas e cauçãoEntrada
      Hoje

      Até dois meses de renda antecipada e caução até ao valor de duas rendas, mediante acordo escrito.

      Proposta inicial

      Até três meses antecipados e caução sem teto legal. Este ponto está entre os que PSD e Chega acordaram rever.

      Falta de pagamentoIncumprimento
      Hoje

      A resolução pode avançar, em regra, com mora igual ou superior a três meses ou atrasos repetidos mais de quatro vezes em 12 meses.

      Proposta

      Reduz a mora relevante para dois meses e abrange atrasos superiores a oito dias mais de três vezes em 12 meses ou mais de quatro em 18.

      Renovação e estabilidadePrazo
      Hoje

      Um contrato de um ano renova-se, salvo acordo em contrário, por um mínimo de três anos; a primeira oposição do senhorio só produz efeitos após três anos.

      Proposta

      Elimina o mínimo de três anos da renovação e a proteção temporal da primeira renovação. Um contrato anual pode voltar a renovar por um ano.

      Direito de preferênciaCompra
      Hoje

      O inquilino pode ter preferência na compra após mais de dois anos de arrendamento, cumpridos os restantes requisitos.

      Proposta

      Alarga o prazo mínimo e restringe a preferência quando o proprietário vende o imóvel juntamente com outros bens.

      Contratos anteriores a 1990Transição
      Hoje

      Determinados contratos antigos não transitam para o NRAU, incluindo quando se prova baixo rendimento, idade ou incapacidade nos termos legais.

      Proposta

      Permite a transição para o NRAU e um prazo certo de cinco anos em vários casos, mantendo salvaguardas específicas para maiores de 65 anos, incapacidade ≥60% e baixos rendimentos.

      Despejo, obras e recursosProcesso
      Hoje

      Existem prazos e garantias processuais que podem suspender a entrega do imóvel enquanto a decisão é discutida.

      Proposta

      Simplifica notificações e procedimentos, prevê despejo imediato após decisão favorável e dá efeito não suspensivo ao recurso em ações sobre o contrato.

      As regras atuais sobre caução e rendas antecipadas constam do artigo 1076.º do Código Civil; o limite transitório dos novos contratos consta do artigo 34.º da Lei n.º 56/2023.34

      02

      Quem votou a favor, contra e se absteve

      A votação de 30 de setembro foi na generalidade: aprovou o princípio e permitiu que a iniciativa continuasse. Não foi uma votação sobre uma lei final.

      A favor3 partidos
      PSD IL CDS-PP
      Abstenção1 partido
      CH
      Contra6 partidos
      PS L PCP BE PAN JPP
      ResultadoAprovada na generalidade

      O Chega não votou a favor: a sua abstenção permitiu que os 100 lugares dos partidos favoráveis superassem os 70 dos partidos contra. Estes números representam a composição das bancadas, não uma contagem de presenças individuais.

      03

      Porque pode ser boa — ou má — para os inquilinos

      Benefícios possíveis

      Mais oferta, se a redução do risco funcionar

      • Procedimentos mais previsíveis podem convencer alguns proprietários a colocar casas vazias no mercado.
      • Mais oferta pode moderar a competição por cada casa no médio prazo.
      • Comunicações eletrónicas e processos mais claros podem reduzir custos e conflitos.
      • A proposta afirma transferir para o Estado a proteção social de quem está vulnerável, em vez de a impor apenas ao senhorio.
      Custos e riscos

      O efeito direto é menor proteção contratual

      • Cauções mais altas e três rendas antecipadas podem excluir quem consegue pagar a renda mensal, mas não tem poupança inicial.
      • Renovações mais curtas tornam mais difícil planear escola, trabalho e vida familiar.
      • Dois meses de mora e procedimentos mais rápidos reduzem a margem para recuperar de desemprego, doença ou outro choque temporário.
      • A liberalização da renda entre contratos pode produzir aumentos antes de surgir nova oferta.
      • Alguns contratos antigos e transmissões por morte passam a ter prazo certo, com risco de subida da renda ou perda de estabilidade.

      A DECO reconhece a necessidade de reduzir o risco dos proprietários, mas alerta que essa redução não deve ser obtida transferindo risco desproporcionado para o inquilino. Destaca os custos de entrada, a distinção entre incumprimento temporário e deliberado e o acesso efetivo à defesa em processos de despejo.5

      04

      Porque pode ser boa — ou má — para os senhorios

      Benefícios possíveis

      Menos risco e maior controlo sobre o contrato

      • Recuperação mais rápida do imóvel em caso de incumprimento persistente.
      • Mais liberdade para definir caução, renovação e renda de um novo contrato.
      • Atualização e transição de alguns contratos antigos, com salvaguardas sociais.
      • Processos mais simples para obras profundas, demolição e comunicação com o inquilino.
      • Maior previsibilidade pode facilitar financiamento e investimento profissional em casas para arrendar.
      Custos e incertezas

      A reforma não garante procura solvente

      • Cauções muito elevadas reduzem o universo de candidatos e podem prolongar a vacância.
      • Maior rotação de contratos implica custos de mediação, manutenção e períodos sem renda.
      • Sem apoio público rápido, o despejo recupera o imóvel mas não recupera necessariamente a dívida.
      • A lei final pode ficar mais restritiva do que a proposta inicial devido à negociação parlamentar.
      • Mais liberdade contratual não reduz, por si só, custos de construção, impostos ou prazos urbanísticos.

      A APPII, que representa promotores e investidores imobiliários, apoia a reforma por considerar que a segurança e a liberdade contratual podem atrair investimento de longo prazo para o arrendamento. Esta é uma posição de parte interessada, não uma prova de que o efeito ocorrerá.7

      05

      O balanço: benefício potencial, custo imediato

      A proposta desloca o equilíbrio jurídico em favor da segurança e autonomia do senhorio. Para proprietários, os benefícios são diretos: mais liberdade no contrato e mecanismos mais rápidos perante incumprimento. Para inquilinos, os benefícios são sobretudo uma hipótese económica: se o risco menor fizer crescer a oferta, poderá tornar-se mais fácil encontrar casa.

      O texto permite concluir
      • Os custos de entrada podem aumentar.
      • A estabilidade mínima de vários contratos diminui.
      • O senhorio ganha instrumentos mais céleres perante incumprimento.
      • Alguns contratos anteriores a 1990 passam a poder transitar para o NRAU.
      O texto não permite garantir
      • Que mais proprietários coloquem casas no mercado.
      • Que as rendas desçam depois da liberalização.
      • Que os apoios públicos cheguem antes de um despejo.
      • Que a versão final mantenha todas estas medidas.

      Por isso, “boa” ou “má” depende do prazo e do critério usado. Se o objetivo for reduzir rapidamente o risco do proprietário, a proposta é favorável. Se o objetivo for preservar estabilidade e reduzir o dinheiro necessário para entrar numa casa, a proposta inicial é desfavorável aos inquilinos. O teste decisivo será saber se as salvaguardas sociais ficam operacionais e se a oferta aumenta sem que os custos de entrada e as rendas subam primeiro.

      06

      Fontes e limites

      Esta análise descreve a Proposta de Lei n.º 103/XVII/1.ª e o respetivo estado parlamentar em 26 de outubro de 2026. Não substitui aconselhamento jurídico. O texto pode mudar na especialidade e as regras atuais mantêm-se até publicação de novos diplomas.

      1. Assembleia da República — Proposta de Lei n.º 103/XVII/1.ªPercurso, documentos e votação oficial de 30 de setembro de 2026. ↗
      2. Presidência do Conselho de Ministros — texto da proposta e projeto de decreto-leiDocumento oficial disponível na ficha da iniciativa; 75 páginas. ↗
      3. Diário da República — Código Civil, artigo 1076.ºRegime em vigor para rendas antecipadas e caução. ↗
      4. Diário da República — Lei n.º 56/2023, artigos 34.º e 35.ºLimite dos novos contratos e proteção dos contratos anteriores a 1990. ↗
      5. DECO — parecer enviado ao ParlamentoAnálise de acessibilidade, incumprimento, despejo e proteção do consumidor. ↗
      6. RTP/Lusa — estado das negociaçõesDisponibilidade do Governo para alterações e confirmação de que a reforma ainda não está em vigor. ↗
      7. APPII — posição dos promotores e investidoresArgumento favorável à segurança contratual e ao investimento em arrendamento. ↗
      Artigos→Habitação
      Habitação · Compradores e investimento

      Quem está a comprar as casas em Portugal?

      Estrangeiros representam uma fatia relevante das compras. Mas a maioria vive no país — e confundir naturalidade, residência fiscal, investimento estrangeiro e Golden Visa distorce a realidade.

      Em síntese

      O rótulo “estrangeiro” esconde realidades diferentes

      1. 29% mede naturalidade.Em 2024, quase três em cada dez transações feitas por compradores particulares envolveram alguém natural de outro país — incluindo quem reside em Portugal.
      2. Cerca de 6% mede residência no estrangeiro.Os compradores com domicílio fiscal fora do país são uma fatia muito menor do número de operações, mas compram imóveis de valor mais elevado.
      3. Golden Visa e fundos não são parcelas adicionais.As categorias sobrepõem-se ou medem entidades diferentes; somá-las produziria dupla contagem.
      00

      Antes dos números: três perguntas diferentes

      “Quem compra?” pode referir-se ao país onde a pessoa nasceu, ao país onde vive para efeitos fiscais ou ao tipo de comprador. Cada variável responde a uma pergunta diferente.

      Naturalidade

      Onde nasceu?

      É a medida usada pelo Banco de Portugal para comparar compradores naturais de Portugal e de outros países. Um estrangeiro residente continua nesta segunda categoria.

      Domicílio fiscal

      Onde reside?

      Separa quem tem residência fiscal em Portugal de quem a tem no estrangeiro. Aproxima melhor a procura externa, mas inclui pessoas e empresas.

      Setor institucional

      É família ou entidade?

      Distingue famílias de sociedades, bancos, fundos e outras organizações. O grupo “não famílias” não corresponde apenas a fundos imobiliários.

      Não se podem somar estas categorias

      Um cidadão estrangeiro residente em Portugal pertence simultaneamente a “naturalidade estrangeira” e “domicílio fiscal nacional”. Um investidor Golden Visa já está incluído nas estatísticas da sua naturalidade e residência.

      01

      29% das compras particulares envolveram pessoas naturais de outro país

      Em 2024, 29% das transações realizadas por compradores particulares corresponderam a pessoas naturais de um país estrangeiro. Em 2019 eram 25%. O Banco de Portugal atribui o crescimento sobretudo aos estrangeiros residentes em Portugal; as transações de estrangeiros não residentes diminuíram 8,5% em 2024.1

      29%naturalidade estrangeira
      Naturalidade dos compradores particularesPercentagem do número de transações em 2024
      • Naturais de outro país29%
      • Naturais de Portugal71%

      Este indicador não diz onde o comprador vive. Um cidadão brasileiro que trabalha e reside em Portugal conta nos 29%, mas a sua procura é residente.

      02

      A grande maioria das casas é comprada por residentes em Portugal

      Quando a medida muda de naturalidade para domicílio fiscal, a imagem altera-se. Em 2021, 94,6% das habitações foram compradas por adquirentes domiciliados em Portugal; 5,4% por compradores domiciliados fora.2

      94,6%domicílio fiscal em Portugal
      2021
      6,4%das operações tinham domicílio fiscal fora
      2.º trim. 2022
      6%das operações eram de não residentes
      1.º sem. 2024

      No segundo trimestre de 2022, os não residentes fizeram 6,4% das operações, mas representaram 11,9% do valor transacionado.3 No primeiro semestre de 2024, a relação foi semelhante: 6% do número de transações e 10% do montante.4

      Poucas operações, uma fatia maior do valorCompradores não residentes; cada período deve ser lido separadamente
      2.º trim. 20226,4% operações11,9% valor
      1.º sem. 20246% operações10% valor
      Fontes: INE e Banco de Portugal. As duas linhas usam períodos diferentes e não formam uma série contínua.
      03

      Os compradores estrangeiros e não residentes compram casas mais caras

      Em 2024, o valor médio das aquisições por pessoas de naturalidade estrangeira foi 272 mil euros, contra 187 mil euros entre naturais de Portugal — uma diferença de cerca de 45%. Britânicos e norte-americanos aproximaram-se dos 430 mil euros.1

      Por naturalidadeValor médio, 2024
      Portugal187 mil €+45%Outro país272 mil €
      Por residência fiscalValor médio, 1.º sem. 2024
      Portugal198 mil €+74%Exterior345 mil €

      O efeito também é geográfico. No segundo trimestre de 2026, o preço mediano por metro quadrado pago por compradores domiciliados no estrangeiro superou o dos residentes em 47,0% na Grande Lisboa e 37,5% na Área Metropolitana do Porto.6

      Prémio pago por compradores domiciliados no estrangeiroÍndice: preço mediano dos compradores domiciliados em Portugal = 100
      Grande Lisboa147
      AMP137,5
      Residente100
      INE, 2.º trimestre de 2026. A diferença pode refletir localização, dimensão e qualidade dos imóveis; não mede apenas pressão sobre uma casa equivalente.
      04

      Brasil lidera entre as naturalidades estrangeiras

      Entre as transações de pessoas naturais de outro país em 2024, o Brasil representou 25%; Angola e França, 14% cada; e os Estados Unidos, 6%. A participação norte-americana triplicou face a 2019.1

      Origem dos compradores de naturalidade estrangeiraPercentagem das respetivas transações, 2024
      Brasil25%
      Angola14%
      França14%
      Estados Unidos6%
      Outros41%
      “Origem” significa naturalidade, não país de residência nem origem do dinheiro.
      Crédito não equivale a compra de casa

      Em 2025, 16% das pessoas que obtiveram novos créditos em Portugal eram estrangeiras e metade tinha nacionalidade brasileira. O dado abrange vários tipos de crédito, por isso ajuda a caracterizar devedores, mas não deve ser usado como percentagem de compradores de habitação.5

      05

      O Golden Visa imobiliário explica o passado, não novas compras

      Durante cerca de uma década, a compra de imóveis podia dar acesso a uma Autorização de Residência para Investimento. A Lei n.º 56/2023 deixou de admitir novos pedidos com fundamento em investimento imobiliário a partir de 7 de outubro de 2023.7

      Isso não apaga o efeito histórico do programa nem impede estrangeiros de comprar casas. Significa apenas que uma nova compra imobiliária já não serve, por si só, de porta de entrada para um novo Golden Visa. Também não se deve somar “Golden Visa” a “compradores estrangeiros”: os beneficiários já aparecem nas outras estatísticas.

      06

      Famílias dominam as compras; o restante não são apenas fundos

      No segundo trimestre de 2022, as famílias realizaram 87,6% das transações de habitação e 86,7% do respetivo valor. Os restantes compradores incluem sociedades comerciais, empresas imobiliárias, instituições financeiras, fundos e outras entidades.3

      87,6%compras por famílias
      Quem realizou as transações?Número de compras no 2.º trimestre de 2022
      • Famílias87,6%
      • Outras entidades12,4%

      Uma estatística de transações responde a quem comprou num período. Não mede quem possui todo o parque habitacional: uma empresa pode deter centenas de imóveis adquiridos noutros anos sem fazer uma única compra no trimestre observado.

      07

      O que os dados permitem concluir

      A maioria esmagadora das habitações continua a ser comprada por pessoas ou entidades domiciliadas em Portugal. Entre os compradores de naturalidade estrangeira, muitos também residem no país. Os não residentes são menos numerosos, mas têm um peso superior no valor e nos segmentos mais caros.

      Os dados sustentam
      • A naturalidade estrangeira tem peso relevante entre compradores particulares.
      • A maioria desses compradores estrangeiros reside em Portugal.
      • Os não residentes compram menos casas, mas de valor médio superior.
      • O efeito é mais visível em algumas geografias e segmentos.
      Os dados não sustentam
      • Que 29% das casas sejam compradas por pessoas que vivem fora.
      • Que toda a compra estrangeira seja investimento especulativo.
      • Que todas as compras não familiares pertençam a fundos.
      • Que Golden Visa seja uma categoria adicional a somar.

      A pergunta útil não é apenas “quantas casas são compradas por estrangeiros?”, mas quem compra, onde vive, quanto paga e em que zonas se concentra essa procura.

      08

      Fontes e limites

      As fontes não usam sempre o mesmo universo nem o mesmo período. O artigo mantém separados naturalidade, domicílio fiscal, crédito e setor institucional. Médias nacionais não descrevem cada comprador e diferenças de preço podem refletir imóveis e localizações diferentes.

      1. Banco de Portugal — Relatório de Estabilidade Financeira, maio de 2025Naturalidade, residência, países de origem e valores médios em 2024. ↗
      2. INE — Retrato do mercado imobiliárioDomicílio fiscal dos compradores em 2021 e 2022. ↗
      3. INE — Índice de Preços da Habitação, 2.º trimestre de 2022Famílias, não residentes e peso no número e valor das transações. ↗
      4. Banco de Portugal — Relatório de Estabilidade Financeira, novembro de 2024Não residentes no primeiro semestre de 2024 e escassez de oferta. ↗
      5. BPstat — Quem obteve crédito em Portugal em 2025?Nacionalidade dos novos devedores e limites do indicador. ↗
      6. INE — Preços da habitação ao nível local, 2.º trimestre de 2026Diferenças por domicílio fiscal na Grande Lisboa e Área Metropolitana do Porto. ↗
      7. Diário da República — Lei n.º 56/2023, de 6 de outubroFim de novos pedidos ARI por investimento imobiliário e regime transitório. ↗
      Porque existimos

      A nossa missão

      Menos ruído. Mais contexto. Mais clareza.

      O Sem Ruído é uma plataforma independente dedicada à política portuguesa, sem filiação partidária ou ideológica.

      A nossa missão é tornar a informação política mais clara, acessível e verificável, recorrendo a dados, documentos oficiais, fontes primárias e informação factual sempre que possível.

      Vivemos numa época em que nunca foi tão fácil aceder a informação — mas também nunca foi tão fácil encontrar versões contraditórias dos mesmos acontecimentos, opiniões apresentadas como factos e conteúdos concebidos para provocar uma reação antes de promover compreensão.

      Num contexto de crescente polarização, acreditamos que compreender deve vir antes de concordar ou discordar.

      Por isso, procuramos separar factos de opinião, afirmações de evidência e perceções de dados. Analisamos propostas políticas, programas partidários, votações, declarações públicas e temas de interesse nacional procurando apresentar o contexto necessário para que cada pessoa possa chegar às suas próprias conclusões.

      O objetivo do Sem Ruído não é dizer em quem votar, nem determinar quem tem razão.

      É dar às pessoas melhores ferramentas para pensar, questionar e decidir por si próprias.

      Menos ruído. Mais contexto. Mais clareza.

      O princípio

      Uma democracia mais clara começa com informação que pode ser verificada.

      O Sem Ruído organiza fontes, propostas e votações para que seja mais fácil distinguir factos, interpretações e opiniões — sem substituir o julgamento de quem lê.

      01

      Fontes antes de rótulos

      Partimos de documentos originais, dados oficiais e registos públicos.

      02

      Contexto antes de conclusões

      Explicamos o que cada dado mede, os seus limites e o que fica por demonstrar.

      03

      Transparência antes de confiança

      Mostramos o método, a evidência e a fonte para que cada pessoa possa confirmar.

      O que fazemos

      Tornamos a evidência legível.

      • Comparamos posições com a mesma estrutura.
      • Ligamos resumos às fontes originais.
      • Separamos dados, análise e opinião.
      • Assinalamos lacunas, limites e correções.
      O que não fazemos

      Não escolhemos por si.

      • Não recomendamos partidos ou candidatos.
      • Não reduzimos ideias políticas a um único rótulo.
      • Não escondemos incerteza ou falta de dados.
      • Não tratamos ausência de evidência como ausência de posição.
      Versão 0.1 · Base

      Como funciona o Sem Ruído

      A confiança deve resultar da possibilidade de verificação. O método separa material de origem, evidência revista, afirmações editoriais e avaliações determinísticas.

      01

      Recolher

      Registar e preservar documentos oficiais com URL, editor, datas, soma de verificação e metadados de recolha.

      02

      Extrair

      Identificar excertos candidatos. Qualquer resultado assistido por máquina conserva o modelo, o pedido, a data e a confiança.

      03

      Rever

      Uma pessoa verifica o excerto exato, o contexto envolvente, o tema, o tipo de evidência e a atribuição.

      04

      Publicar

      A evidência aprovada sustenta uma afirmação versionada. As correções substituem revisões anteriores sem apagar o histórico.

      05

      Avaliar

      Regras fixas e versionadas aplicam um quadro académico identificado. A IA não produz a classificação final.

      06

      Consultar

      Qualquer pessoa pode abrir a afirmação, os critérios aplicados, a evidência, a localização no documento e a fonte original.

      Tipos de evidência

      Palavras, propostas, votos e comunicação ficam separados

      Cada posição publicada indica a camada de evidência a que pertence. As camadas nunca se somam num único resultado.

      Grau de correspondência

      Quão diretamente o excerto sustenta o resumo

      Não mede a qualidade da proposta nem o grau de compromisso do partido. Indica apenas a distância entre o texto citado e a frase publicada.

      Política de fontes

      Hierarquia das fontes

      Fontes institucionais primeiro, depois documentos dos próprios partidos. Uma notícia nunca substitui uma fonte primária existente.

        Política editorial

        Princípios que se aplicam a todos os partidos

          Classificações

          Verificação dos excertos

          Cada citação é comparada com o documento original

          DocumentoObtido viaPáginasSHA-256
          Registo de discrepâncias

          Quando as fontes oficiais não coincidem

          As divergências entre registos institucionais ficam documentadas, com o valor adotado e a razão da escolha.

          Assembleia da República · XVII Legislatura

          Parlamento

          Composição atual da Assembleia da República e votações finais globais das propostas de lei do Governo e dos projetos de lei dos partidos, a partir dos dados abertos oficiais.

          230deputadosMaioria absoluta: 116
          Lugares agrupados por partido e ordenados pelo número de deputados. Cada partido tem uma cor de identificação fixa, que serve apenas para o distinguir: a figura não reproduz a disposição física da sala nem sugere qualquer posição ideológica.
          Círculos eleitorais

          Deputados por círculo

          Distribuição dos deputados em funções pelos círculos eleitorais, segundo os dados abertos da Assembleia da República.

          Como votam os partidos

          Votações finais globais de propostas e projetos de lei

          Os votos são preservados no nível de detalhe do registo oficial.

          ∅

          Outras votações ainda não publicadas

          Só são publicadas as votações finais globais de propostas e projetos de lei. Os projetos de resolução, as votações na generalidade e as iniciativas rejeitadas antes da votação final ainda não estão incluídos. Isto significa ausência de cobertura, não ausência de atividade.

          Biblioteca de fontes

          Documentos

          Cada documento recebe uma versão imutável, soma de verificação, registo de recolha e texto associado às páginas antes de poder sustentar uma afirmação pública.

          0fontes registadas
          0excertos revistos

          Registar uma fonte não equivale a publicar evidência. Uma posição só é publicada depois de o excerto exato ter sido localizado e revisto no documento original.

          Documento ou registoEditorTipoEstado
          Verificação de afirmações

          Fact-check

          Afirmações de partidos e responsáveis políticos confrontadas com fontes oficiais: o que foi dito, o que dizem os documentos e os dados, e a conclusão, com cada passo citado.

          ∅

          Ainda não há verificações publicadas

          As verificações só são publicadas depois de revistas, com todas as fontes citadas. A ausência de verificações não significa que as afirmações sejam verdadeiras ou falsas.

          Ver a metodologia →
          Como é feita cada verificação
          1. 1
            Afirmação

            A frase exata, quem a disse, quando e onde, com ligação para o original.

          2. 2
            Fontes oficiais

            Dados e documentos de entidades públicas, citados com página e data.

          3. 3
            Conclusão

            Uma classificação explicada, com os limites e o que ficou por confirmar.

          Classificações
          Fact-check→Verificação
          Responsabilização pública

          Correções

          A evidência e as interpretações devem poder ser contestadas. As correções aceites criam uma nova revisão e preservam o registo anterior.

          O que acontece a seguir
          1. 1
            Registamos a contestação

            A afirmação, citação ou fonte em causa é identificada.

          2. 2
            Uma pessoa revê o contexto

            A fonte original e a metodologia são verificadas novamente.

          3. 3
            O resultado torna-se visível

            Qualquer substituição remete para a revisão anterior e para o respetivo motivo.

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