Habitação · Compradores e investimento

Quem está a comprar as casas em Portugal?

Estrangeiros representam uma fatia relevante das compras. Mas a maioria vive no país, e confundir naturalidade, residência fiscal, investimento estrangeiro e Golden Visa distorce a realidade.

Em síntese

O rótulo “estrangeiro” esconde realidades diferentes

  1. 29% mede naturalidade.Em 2024, quase três em cada dez transações feitas por compradores particulares envolveram alguém natural de outro país, incluindo quem reside em Portugal.
  2. Cerca de 6% mede residência no estrangeiro.Os compradores com domicílio fiscal fora do país são uma fatia muito menor do número de operações, mas compram imóveis de valor mais elevado.
  3. Golden Visa e fundos não são parcelas adicionais.As categorias sobrepõem-se ou medem entidades diferentes; somá-las produziria dupla contagem.
00

Antes dos números: três perguntas diferentes

“Quem compra?” pode referir-se ao país onde a pessoa nasceu, ao país onde vive para efeitos fiscais ou ao tipo de comprador. Cada variável responde a uma pergunta diferente.

Naturalidade

Onde nasceu?

É a medida usada pelo Banco de Portugal para comparar compradores naturais de Portugal e de outros países. Um estrangeiro residente continua nesta segunda categoria.

Domicílio fiscal

Onde reside?

Separa quem tem residência fiscal em Portugal de quem a tem no estrangeiro. Aproxima melhor a procura externa, mas inclui pessoas e empresas.

Setor institucional

É família ou entidade?

Distingue famílias de sociedades, bancos, fundos e outras organizações. O grupo “não famílias” não corresponde apenas a fundos imobiliários.

Não se podem somar estas categorias

Um cidadão estrangeiro residente em Portugal pertence simultaneamente a “naturalidade estrangeira” e “domicílio fiscal nacional”. Um investidor Golden Visa já está incluído nas estatísticas da sua naturalidade e residência.

01

29% das compras particulares envolveram pessoas naturais de outro país

Em 2024, 29% das transações realizadas por compradores particulares corresponderam a pessoas naturais de um país estrangeiro. Em 2019 eram 25%. O Banco de Portugal atribui o crescimento sobretudo aos estrangeiros residentes em Portugal; as transações de estrangeiros não residentes diminuíram 8,5% em 2024.1

29%naturalidade estrangeira
Naturalidade dos compradores particularesPercentagem do número de transações em 2024
  • Naturais de outro país29%
  • Naturais de Portugal71%

Este indicador não diz onde o comprador vive. Um cidadão brasileiro que trabalha e reside em Portugal conta nos 29%, mas a sua procura é residente.

02

A grande maioria das casas é comprada por residentes em Portugal

Quando a medida muda de naturalidade para domicílio fiscal, a imagem altera-se. Em 2021, 94,6% das habitações foram compradas por adquirentes domiciliados em Portugal; 5,4% por compradores domiciliados fora.2

94,6%domicílio fiscal em Portugal
2021
6,4%das operações tinham domicílio fiscal fora
2.º trim. 2022
6%das operações eram de não residentes
1.º sem. 2024

No segundo trimestre de 2022, os não residentes fizeram 6,4% das operações, mas representaram 11,9% do valor transacionado.3 No primeiro semestre de 2024, a relação foi semelhante: 6% do número de transações e 10% do montante.4

Poucas operações, uma fatia maior do valorCompradores não residentes; cada período deve ser lido separadamente
2.º trim. 20226,4% operações11,9% valor
1.º sem. 20246% operações10% valor
Fontes: INE e Banco de Portugal. As duas linhas usam períodos diferentes e não formam uma série contínua.
03

Os compradores estrangeiros e não residentes compram casas mais caras

Em 2024, o valor médio das aquisições por pessoas de naturalidade estrangeira foi 272 mil euros, contra 187 mil euros entre naturais de Portugal, uma diferença de cerca de 45%. Britânicos e norte-americanos aproximaram-se dos 430 mil euros.1

Por naturalidadeValor médio, 2024
Portugal187 mil €+45%Outro país272 mil €
Por residência fiscalValor médio, 1.º sem. 2024
Portugal198 mil €+74%Exterior345 mil €

O efeito também é geográfico. No segundo trimestre de 2026, o preço mediano por metro quadrado pago por compradores domiciliados no estrangeiro superou o dos residentes em 47,0% na Grande Lisboa e 37,5% na Área Metropolitana do Porto.6

Prémio pago por compradores domiciliados no estrangeiroÍndice: preço mediano dos compradores domiciliados em Portugal = 100
Grande Lisboa147
AMP137,5
Residente100
INE, 2.º trimestre de 2026. A diferença pode refletir localização, dimensão e qualidade dos imóveis; não mede apenas pressão sobre uma casa equivalente.
04

Brasil lidera entre as naturalidades estrangeiras

Entre as transações de pessoas naturais de outro país em 2024, o Brasil representou 25%; Angola e França, 14% cada; e os Estados Unidos, 6%. A participação norte-americana triplicou face a 2019.1

Origem dos compradores de naturalidade estrangeiraPercentagem das respetivas transações, 2024
Brasil25%
Angola14%
França14%
Estados Unidos6%
Outros41%
“Origem” significa naturalidade, não país de residência nem origem do dinheiro.
Crédito não equivale a compra de casa

Em 2025, 16% das pessoas que obtiveram novos créditos em Portugal eram estrangeiras e metade tinha nacionalidade brasileira. O dado abrange vários tipos de crédito, por isso ajuda a caracterizar devedores, mas não deve ser usado como percentagem de compradores de habitação.5

05

O Golden Visa imobiliário explica o passado, não novas compras

Durante cerca de uma década, a compra de imóveis podia dar acesso a uma Autorização de Residência para Investimento. A Lei n.º 56/2023 deixou de admitir novos pedidos com fundamento em investimento imobiliário a partir de 7 de outubro de 2023.7

Isso não apaga o efeito histórico do programa nem impede estrangeiros de comprar casas. Significa apenas que uma nova compra imobiliária já não serve, por si só, de porta de entrada para um novo Golden Visa. Também não se deve somar “Golden Visa” a “compradores estrangeiros”: os beneficiários já aparecem nas outras estatísticas.

06

Famílias dominam as compras; o restante não são apenas fundos

No segundo trimestre de 2022, as famílias realizaram 87,6% das transações de habitação e 86,7% do respetivo valor. Os restantes compradores incluem sociedades comerciais, empresas imobiliárias, instituições financeiras, fundos e outras entidades.3

87,6%compras por famílias
Quem realizou as transações?Número de compras no 2.º trimestre de 2022
  • Famílias87,6%
  • Outras entidades12,4%

Uma estatística de transações responde a quem comprou num período. Não mede quem possui todo o parque habitacional: uma empresa pode deter centenas de imóveis adquiridos noutros anos sem fazer uma única compra no trimestre observado.

07

O que os dados permitem concluir

A maioria esmagadora das habitações continua a ser comprada por pessoas ou entidades domiciliadas em Portugal. Entre os compradores de naturalidade estrangeira, muitos também residem no país. Os não residentes são menos numerosos, mas têm um peso superior no valor e nos segmentos mais caros.

Os dados sustentam
  • A naturalidade estrangeira tem peso relevante entre compradores particulares.
  • A maioria desses compradores estrangeiros reside em Portugal.
  • Os não residentes compram menos casas, mas de valor médio superior.
  • O efeito é mais visível em algumas geografias e segmentos.
Os dados não sustentam
  • Que 29% das casas sejam compradas por pessoas que vivem fora.
  • Que toda a compra estrangeira seja investimento especulativo.
  • Que todas as compras não familiares pertençam a fundos.
  • Que Golden Visa seja uma categoria adicional a somar.

Mais do que contar quantas casas são compradas por estrangeiros, importa saber quem compra, onde vive, quanto paga e em que zonas se concentra essa procura.

08

Fontes e limites

As fontes não usam sempre o mesmo universo nem o mesmo período. O artigo mantém separados naturalidade, domicílio fiscal, crédito e setor institucional. Médias nacionais não descrevem cada comprador e diferenças de preço podem refletir imóveis e localizações diferentes.

  1. Banco de Portugal, Relatório de Estabilidade Financeira, maio de 2025Naturalidade, residência, países de origem e valores médios em 2024. ↗
  2. INE, Retrato do mercado imobiliárioDomicílio fiscal dos compradores em 2021 e 2022. ↗
  3. INE, Índice de Preços da Habitação, 2.º trimestre de 2022Famílias, não residentes e peso no número e valor das transações. ↗
  4. Banco de Portugal, Relatório de Estabilidade Financeira, novembro de 2024Não residentes no primeiro semestre de 2024 e escassez de oferta. ↗
  5. BPstat, Quem obteve crédito em Portugal em 2025?Nacionalidade dos novos devedores e limites do indicador. ↗
  6. INE, Preços da habitação ao nível local, 2.º trimestre de 2026Diferenças por domicílio fiscal na Grande Lisboa e Área Metropolitana do Porto. ↗
  7. Diário da República, Lei n.º 56/2023, de 6 de outubroFim de novos pedidos ARI por investimento imobiliário e regime transitório. ↗
Housing · Buyers and investment

Who is buying homes in Portugal?

Foreigners account for a significant share of purchases. But most of them live in the country, and confusing place of birth, tax residence, foreign investment and Golden Visas distorts the picture.

In brief

The “foreigner” label hides different realities

  1. 29% measures place of birth.In 2024, almost three in ten purchases by private buyers involved someone born in another country, including people who live in Portugal.
  2. About 6% measures residence abroad.Buyers with tax residence outside the country make up a much smaller share of transactions, but buy more expensive properties.
  3. Golden Visas and funds are not additional shares.The categories overlap or measure different entities; adding them up would double count.
00

Before the numbers: three different questions

“Who buys?” can mean the country where a person was born, the country where they live for tax purposes, or the type of buyer. Each variable answers a different question.

Place of birth

Where were they born?

This is the measure Banco de Portugal uses to compare buyers born in Portugal and in other countries. A foreign resident stays in the second category.

Tax residence

Where do they live?

It separates those with tax residence in Portugal from those with it abroad. It is a better proxy for external demand, but includes both people and companies.

Institutional sector

Household or organisation?

It distinguishes households from companies, banks, funds and other organisations. The “non-household” group is not just property funds.

These categories cannot be added up

A foreign citizen living in Portugal belongs both to “born abroad” and to “tax resident in Portugal”. A Golden Visa investor is already included in the statistics for their place of birth and residence.

01

29% of private purchases involved people born in another country

In 2024, 29% of purchases by private buyers were by people born in a foreign country, up from 25% in 2019. Banco de Portugal attributes the rise mainly to foreigners living in Portugal; purchases by non-resident foreigners fell 8.5% in 2024.1

29%born abroad
Place of birth of private buyersShare of the number of transactions in 2024
  • Born in another country29%
  • Born in Portugal71%

This indicator does not say where the buyer lives. A Brazilian citizen who works and lives in Portugal counts in the 29%, but theirs is resident demand.

02

The vast majority of homes are bought by people living in Portugal

When the measure switches from place of birth to tax residence, the picture changes. In 2021, 94.6% of homes were bought by buyers tax-resident in Portugal; 5.4% by buyers resident abroad.2

94.6%tax resident in Portugal
2021
6.4%of transactions by buyers resident abroad
Q2 2022
6%of transactions by non-residents
H1 2024

In the second quarter of 2022, non-residents made 6.4% of transactions but accounted for 11.9% of the value traded.3 In the first half of 2024 the relationship was similar: 6% of the number of transactions and 10% of the amount.4

Few transactions, a bigger share of the valueNon-resident buyers; read each period separately
Q2 20226.4% transactions11.9% value
H1 20246% transactions10% value
Sources: INE and Banco de Portugal. The two rows use different periods and do not form a continuous series.
03

Foreign and non-resident buyers buy more expensive homes

In 2024, the average purchase by people born abroad was €272,000, against €187,000 among those born in Portugal, a difference of about 45%. British and American buyers came close to €430,000.1

By place of birthAverage value, 2024
Portugal€187k+45%Other country€272k
By tax residenceAverage value, H1 2024
Portugal€198k+74%Abroad€345k

The effect is also geographical. In the second quarter of 2026, the median price per square metre paid by buyers resident abroad was 47.0% higher than residents' in Greater Lisbon and 37.5% higher in the Porto Metropolitan Area.6

Premium paid by buyers resident abroadIndex: median price paid by buyers resident in Portugal = 100
Greater Lisbon147
Porto Metro Area137.5
Resident100
INE, Q2 2026. The difference may reflect the location, size and quality of the properties; it does not only measure pressure on an equivalent home.
04

Brazil leads among foreign places of birth

Among purchases by people born in another country in 2024, Brazil accounted for 25%; Angola and France for 14% each; and the United States for 6%. The American share tripled compared with 2019.1

Origin of buyers born abroadShare of their transactions, 2024
Brazil25%
Angola14%
France14%
United States6%
Others41%
“Origin” means place of birth, not country of residence or where the money comes from.
Credit is not the same as buying a home

In 2025, 16% of people who took out new loans in Portugal were foreigners, and half of them were Brazilian nationals. The figure covers several types of credit, so it helps describe borrowers but should not be used as a share of home buyers.5

05

The property Golden Visa explains the past, not new purchases

For about a decade, buying property could give access to a Residence Permit for Investment (ARI). Law no. 56/2023 stopped accepting new applications based on property investment from 7 October 2023.7

This does not erase the programme's historical effect or stop foreigners from buying homes. It only means a new property purchase no longer serves, on its own, as a way into a new Golden Visa. Nor should “Golden Visa” be added to “foreign buyers”: the beneficiaries already appear in the other statistics.

06

Households dominate purchases; the rest are not only funds

In the second quarter of 2022, households made 87.6% of home purchases and 86.7% of their value. The other buyers include trading companies, property companies, financial institutions, funds and other entities.3

87.6%purchases by households
Who made the purchases?Number of purchases in Q2 2022
  • Households87.6%
  • Other entities12.4%

A transaction statistic answers who bought in a given period. It does not measure who owns the whole housing stock: a company may hold hundreds of properties bought in other years without making a single purchase in the quarter observed.

07

What the data allow us to conclude

The overwhelming majority of homes are still bought by people or entities resident in Portugal. Among buyers born abroad, many also live in the country. Non-residents are fewer, but carry more weight in value and in the most expensive segments.

The data support
  • Being born abroad carries significant weight among private buyers.
  • Most of these foreign-born buyers live in Portugal.
  • Non-residents buy fewer homes, but at a higher average value.
  • The effect is more visible in some areas and segments.
The data do not support
  • That 29% of homes are bought by people who live abroad.
  • That every foreign purchase is speculative investment.
  • That all non-household purchases belong to funds.
  • That Golden Visa is an extra category to add on.

Rather than counting how many homes are bought by foreigners, what matters is who buys, where they live, how much they pay and in which areas that demand is concentrated.

08

Sources and limits

The sources do not always use the same population or period. The article keeps place of birth, tax residence, credit and institutional sector separate. National averages do not describe each buyer, and price differences can reflect different properties and locations. Source titles are given in Portuguese.

  1. Banco de Portugal, Relatório de Estabilidade Financeira, maio de 2025Place of birth, residence, countries of origin and average values in 2024. ↗
  2. INE, Retrato do mercado imobiliárioBuyers' tax residence in 2021 and 2022. ↗
  3. INE, Índice de Preços da Habitação, 2.º trimestre de 2022Households, non-residents and their share of the number and value of transactions. ↗
  4. Banco de Portugal, Relatório de Estabilidade Financeira, novembro de 2024Non-residents in the first half of 2024 and the shortage of supply. ↗
  5. BPstat, Quem obteve crédito em Portugal em 2025?Nationality of new borrowers and the limits of the indicator. ↗
  6. INE, Preços da habitação ao nível local, 2.º trimestre de 2026Differences by tax residence in Greater Lisbon and the Porto Metropolitan Area. ↗
  7. Diário da República, Lei n.º 56/2023, de 6 de outubroEnd of new ARI applications based on property investment, and the transitional regime. ↗

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