Habitação · Crédito e política pública

Garantia pública para comprar casa: quem está a beneficiar e quais são os efeitos?

Quase metade dos contratos de crédito jovem já recorreu ao regime. A adesão é elevada, mas não mede, por si só, eficácia económica, custo público ou casas que só foram compradas por causa da medida.

Até setembro de 2026

Quatro números que medem coisas diferentes

48 859contratos com garantia desde o início do regime
€10,255 mil Mcrédito concedido pelos bancos nesses contratos
€1,420 mil Mgarantia do Estado comprometida, não despesa paga
54,1%dos contratos do segmento jovem no 3.º trimestre
Fonte: Banco de Portugal/BPstat, 29 de outubro de 2026. “Contratos” não equivale necessariamente a pessoas únicas.
01

A garantia substitui parte da entrada, não o empréstimo

O regime permite que jovens entre 18 e 35 anos financiem entre 85% e 100% do valor de transação da primeira habitação própria e permanente: o preço de compra ou, se for inferior, o valor da avaliação. O Estado presta uma fiança sobre a parcela acima de 85%, até ao limite de 15% e durante, no máximo, dez anos.45

O banco continua obrigado a avaliar rendimentos, despesas e capacidade de pagamento. A garantia não protege o comprador do incumprimento: se o Estado pagar ao banco a parcela garantida, o devedor mantém a obrigação de reembolsar esse valor ao Estado.4

Elegibilidade não é aprovação

Os requisitos legais são ter entre 18 e 35 anos, domicílio fiscal em Portugal, rendimentos até ao 8.º escalão do IRS, situação fiscal e contributiva regularizada, não ser proprietário de habitação, nunca ter usado esta garantia e comprar um imóvel até €450 mil; todos os compradores têm de ser mutuários e cumprir as mesmas condições. Cumpri-los não obriga uma instituição a conceder crédito.104

02

Em 21 meses, o regime chegou a quase 49 mil contratos

Entre janeiro de 2025 e setembro de 2026 foram celebrados 48 859 contratos com garantia, num total de €10 254,9 milhões. No 3.º trimestre de 2026 foram 8,7 mil contratos e €2,0 mil milhões, mais 11,5% e 13,2%, respetivamente, do que no trimestre anterior.1

21 mesesjaneiro de 2025
a setembro de 2026
8,7 milcontratos no
3.º trimestre de 2026
€210 milvalor médio por contrato
cálculo Sem Ruído

O valor médio acumulado, cerca de €209 888, resulta de dividir o crédito total pelo número de contratos. É um cálculo do Sem Ruído com base nos dados do Banco de Portugal; não descreve o preço da casa nem o capital em dívida hoje.

03

€10,3 mil milhões não são €10,3 mil milhões de dinheiro público

Os €10,255 mil milhões são empréstimos concedidos pelas instituições financeiras. O montante de garantia comprometido era €1,420 mil milhões. O teto autorizado foi reforçado em €750 milhões, para €2,3 mil milhões, em abril de 2026.19

Três montantes que não devem ser confundidosMilhões de euros; crédito e garantia acumulados até setembro de 2026
Escala comum. O teto autorizado não significa que todo o montante tenha sido distribuído aos bancos ou acionado.

A garantia comprometida corresponde a 13,8% do crédito contratado (cálculo do Sem Ruído). O valor de 66,5% publicado pelo Banco de Portugal usa outro denominador: o montante que o Estado tinha atribuído até essa data, repartido pelas instituições aderentes. Não é 66,5% dos empréstimos, nem 66,5% do teto máximo de €2,3 mil milhões.14

04

“Mais de metade” depende do universo

No 3.º trimestre, os contratos com garantia foram 54,1% dos contratos celebrados por jovens até aos 35 anos para a mesma finalidade. Quando o denominador é todo o mercado de aquisição de habitação própria e permanente, o peso desce para 31,6%. Desde o início do regime, foram 46,6% do segmento jovem comparável.1

Em montante, as proporções são um pouco mais altas, porque os créditos com garantia são maiores: 56,0% do crédito concedido a jovens no 3.º trimestre, 35,8% de todo o crédito para habitação própria e permanente nesse trimestre e 49,0% do crédito a jovens desde o início do regime.1

O resultado muda com o denominadorPercentagem do número de contratos com garantia
“Jovens” designa contratos celebrados por mutuários até aos 35 anos para a mesma finalidade; não é a população jovem portuguesa.
05

O regime não se concentra nos rendimentos mais baixos

O Banco de Portugal concluiu que os mutuários com garantia tinham, em média, rendimentos mais elevados do que os jovens que obtiveram crédito sem garantia. Face ao conjunto dos mutuários elegíveis, os dois primeiros quintis de rendimento estavam 5 pontos percentuais menos representados no regime. Estes dados referem-se ao 1.º trimestre de 2025, o primeiro do regime.2

Onde a utilização parece concentrar-seLeitura qualitativa das estatísticas; quintis de rendimento líquido do universo de novos créditos
O FMI descreve concentração nos 3.º e 4.º quintis. A fonte pública não permite reproduzir aqui uma distribuição percentual completa.7

A explicação é coerente com o desenho do crédito: a garantia resolve sobretudo uma restrição de capital inicial. Quem não consegue suportar a prestação continua a poder falhar o teste de solvabilidade; quem consegue pagar, mas ainda não acumulou uma entrada, passa a poder financiar uma parcela maior.

O que isto não significa

Não demonstra que todos os beneficiários teriam comprado sem apoio, nem que a medida “beneficia os ricos”. Mostra que, entre quem já consegue obter crédito, os rendimentos mais baixos estão menos representados.

06

Menos poupança inicial, mais dívida financiada

No final do 1.º semestre de 2025, os contratos com garantia tinham montante médio, LTV, taxa de esforço e maturidade superiores aos contratos de mutuários elegíveis sem garantia. São comparações entre pessoas que obtiveram crédito, não entre todos os jovens elegíveis. Para o Banco de Portugal, «elegíveis» são mutuários até aos 35 anos, residentes em Portugal, sem crédito à habitação anterior e com casa até €450 mil, um grupo que inclui pessoas com rendimentos acima do 8.º escalão, que não podem usar a garantia.3

IndicadorCom garantiaElegíveis sem garantia
Montante médio€194 mil€180 mil
LTV médio99%82%
DSTI efetivo35%30%
Maturidade média37 anos e 8 meses36 anos e 8 meses

No 1.º trimestre de 2025, 89% dos contratos com garantia apresentavam LTV de 100%.2 No conjunto do crédito à habitação, a parcela de novos empréstimos com LTV acima de 90% passou de quase zero em 2024 para 19% em 2025, segundo o FMI.6 O efeito mecânico é claro: uma entrada menor permite comprar mais cedo, mas deixa o agregado mais alavancado e com uma margem de capital próprio inicial muito reduzida.

07

Maior peso relativo no interior; mais contratos nas áreas metropolitanas

Mais de 55% dos contratos jovens beneficiaram da garantia no Alentejo, Beira Baixa, Terras de Trás-os-Montes, Beiras e Serra da Estrela e Lezíria do Tejo. Na Grande Lisboa e na Madeira, a proporção rondou 40%.1

Peso relativo mais elevado>55%

Alentejo, Beira Baixa, Terras de Trás-os-Montes, Beiras e Serra da Estrela e Lezíria do Tejo.

Peso relativo mais baixo≈40%

Grande Lisboa e Região Autónoma da Madeira.

Maior volume absoluto≈ metade

Grande Lisboa, Área Metropolitana do Porto e Península de Setúbal concentraram cerca de metade dos contratos.

Percentagem e volume contam histórias diferentes. Uma região pode ter poucos contratos, mas uma grande proporção deles com garantia; uma área metropolitana pode ter uma proporção menor e, ainda assim, concentrar muito mais operações.

08

A medida facilita o acesso ao crédito, mas não torna a casa mais barata

O mecanismo faz
  • reduzir a poupança exigida para a entrada;
  • permitir financiamento entre 85% e 100%;
  • antecipar a compra para alguns agregados solventes.
O mecanismo não faz
  • baixar diretamente o preço da casa;
  • baixar a taxa de juro (não há bonificação);
  • reduzir a prestação de um empréstimo maior;
  • dispensar a avaliação de solvabilidade;
  • proteger o devedor do incumprimento.

Os bancos não podem cobrar comissões pela garantia, mas, como o montante emprestado é maior, também são maiores a prestação e o total de juros pagos ao longo do contrato. Pela mesma razão, o Portal do Cliente Bancário sublinha que o risco de incumprimento aumenta.4

Por isso, “acesso à habitação” e “acesso ao crédito” não são sinónimos. Para quem já suporta a prestação, a entrada pode ser a barreira decisiva. Para quem tem rendimento insuficiente, a garantia não resolve o problema de acessibilidade.

09

Há um sinal de pressão sobre preços, mas não uma prova isolada contra a garantia

O FMI estimou preliminarmente que o conjunto das medidas dirigidas a compradores jovens (garantia pública e isenções de IMT e Imposto do Selo) terá contribuído para subir preços, sem produzir um aumento estatisticamente significativo das transações.6

EvidênciaPreliminar · pacote de medidas

A análise não identifica o efeito isolado da garantia e não permite afirmar que toda a subida observada tenha sido causada por estes apoios.

O mecanismo económico é plausível: mais compradores conseguem oferecer sem uma entrada elevada, enquanto a construção e o licenciamento demoram a responder. O próprio FMI descreve a oferta portuguesa como muito pouco elástica ao preço e identifica a obtenção de licenças de construção como o obstáculo mais estrutural.67

Mas os preços também respondem a taxas de juro, rendimento, migração, investimento, stock disponível e localização. A evidência disponível sustenta “pressão adicional da procura”, não “a garantia explica a crise da habitação”.

10

Quanto custa ao Estado? Ainda não existe uma resposta consolidada

Uma garantia é um compromisso contingente. O Estado só desembolsa quando a garantia é acionada após incumprimento, até ao limite aplicável; depois conserva um crédito sobre o devedor. O montante comprometido mede exposição potencial, não despesa realizada.4

Há um pormenor que antecipa esse momento: o Estado renunciou ao benefício da excussão prévia, o que significa que, em caso de incumprimento, a garantia pode ser acionada antes de serem executados os bens do devedor.1 O FMI nota que, assim, parte do risco passa dos bancos para o setor público.6

Não encontrámos, nas fontes oficiais públicas consultadas até 30 de outubro de 2026, uma estatística consolidada sobre garantias já acionadas, valores pagos pelo Estado e montantes posteriormente recuperados. Sem esses dados, não é rigoroso transformar €1,420 mil milhões em “custo para o contribuinte”.

11

O Governo quer continuar em 2027; o prazo em vigor ainda termina em 2026

O relatório do OE2027 anuncia que a garantia pública “manter-se-á”. No entanto, o prazo em vigor continua a ser 31 de dezembro de 2026: está fixado na Portaria, e é o que indicam o Portal do Cliente Bancário e o Banco de Portugal.8541

A proposta de lei do Orçamento, aprovada na generalidade a 28 de outubro de 2026, não contém uma norma específica sobre esta garantia.11 O decreto-lei que a criou não tem data-limite, e o protocolo com os bancos já prevê “uma eventual prorrogação do programa”. Por isso, a extensão não exige uma nova lei: pode ser feita alterando a Portaria e garantindo montante de garantia disponível.105

1IntençãoAnunciada no relatório do OE2027
2Debate orçamentalOE2027 aprovado na generalidade a 28 out.
3Alteração da PortariaNão publicada até 30 out.
4Entrada em vigorAinda não ocorreu

À data deste artigo, a formulação correta é: existe intenção governamental de prolongar, mas a extensão para 2027 ainda não está juridicamente confirmada.

12

O que sabemos e o que os dados ainda não demonstram

Os dados mostram
  • adesão elevada e crescente;
  • menos necessidade de capital próprio inicial;
  • LTV, montantes, maturidades e DSTI superiores;
  • menor presença dos rendimentos mais baixos;
  • uma responsabilidade contingente relevante para o Estado;
  • indícios preliminares de pressão adicional sobre preços pelo pacote de apoios.
Os dados não demonstram
  • quantas pessoas únicas beneficiaram;
  • quantos compradores nunca teriam comprado sem apoio;
  • que €1,420 mil milhões já foram gastos;
  • quanto da subida dos preços resulta apenas da garantia;
  • o custo fiscal líquido futuro;
  • que a medida já esteja prolongada para 2027.
Fontes

Fontes e metodologia

Privilegiámos documentos institucionais. Os indicadores de datas diferentes aparecem com o respetivo período; não foram interpolados para criar séries inexistentes. Os únicos cálculos editoriais são o valor médio por contrato e o peso da garantia comprometida no crédito contratado.

  1. Banco de Portugal / BPstat, informação sobre o regime da garantia do EstadoContratos, montantes, utilização, denominadores e distribuição regional · 29 out. 2026 ↗
  2. Banco de Portugal, Relatório de Estabilidade Financeira, maio de 2025Montante médio, LTV, DSTI, maturidade e distribuição por rendimento ↗
  3. Banco de Portugal, Sistema Bancário Português, 2.º trimestre de 2025Comparação entre crédito com garantia, elegíveis sem garantia e total ↗
  4. Portal do Cliente Bancário, garantia pública no crédito à habitaçãoFuncionamento, obrigações, incumprimento e prazo legal ↗
  5. Portaria n.º 236-A/2024/1, de 27 de setembroCondições, limite, duração, prazo e operacionalização da garantia ↗
  6. FMI, Portugal: 2026 Article IV Consultation (maio de 2026)Evidência preliminar sobre preços e transações, LTV e elasticidade da oferta ↗
  7. FMI, FSAP, nota técnica sobre risco sistémico e política macroprudencial (julho de 2026)Perfil de rendimento, estrutura dos empréstimos e licenciamento ↗
  8. Governo, Relatório do Orçamento do Estado para 2027Intenção de continuidade da medida em 2027 ↗
  9. Governo, reforço da garantia em €750 milhõesMontante total da garantia passa a €2,3 mil milhões · 24 abr. 2026 ↗
  10. Decreto-Lei n.º 44/2024, de 10 de julhoCria a garantia pessoal do Estado e fixa as condições de acesso ↗
  11. Assembleia da República, Proposta de Lei n.º 110/XVII/2 (Orçamento do Estado para 2027)Texto da proposta e votação na generalidade de 28 out. 2026 · pesquisar pela referência ↗

Limites: a publicação BPstat é uma página dinâmica; os valores foram confrontados com os relatórios do Banco de Portugal e com a legislação. Não encontrámos microdados públicos de contratos, uma tabela completa por quintil, uma série trimestral homogénea desde o início nem um reporte consolidado de garantias acionadas.

Housing · Credit and public policy

A public guarantee to buy a home: who is benefiting and what are the effects?

Almost half of young people's mortgage contracts have already used the scheme. Take-up is high, but on its own it does not measure economic effectiveness, public cost or homes bought only because of the measure.

Up to September 2026

Four numbers that measure different things

48,859contracts with the guarantee since the scheme began
€10.255bncredit granted by banks in those contracts
€1.420bnstate guarantee committed, not money spent
54.1%of young people's contracts in the third quarter
Source: Banco de Portugal/BPstat, 29 October 2026. “Contracts” are not necessarily unique people.
01

The guarantee replaces part of the deposit, not the loan

The scheme lets people aged 18 to 35 finance between 85% and 100% of the transaction value of their first permanent home: the purchase price or, if lower, the valuation. The state provides a guarantee on the part above 85%, up to a limit of 15% and for at most ten years.45

The bank must still assess income, expenses and ability to pay. The guarantee does not protect the buyer from default: if the state pays the bank the guaranteed part, the borrower still has to repay that amount to the state.4

Eligibility is not approval

The legal requirements are being aged 18 to 35, tax-resident in Portugal, with income up to the 8th IRS bracket, with tax and social security affairs in order, not owning a home, never having used this guarantee and buying a property worth up to €450,000; all buyers must be borrowers and meet the same conditions. Meeting them does not oblige a lender to grant credit.104

02

In 21 months, the scheme reached almost 49,000 contracts

Between January 2025 and September 2026, 48,859 contracts with the guarantee were signed, totalling €10,254.9 million. In the third quarter of 2026 there were 8,700 contracts and €2.0 billion, up 11.5% and 13.2%, respectively, on the previous quarter.1

21 monthsJanuary 2025
to September 2026
8,700contracts in
Q3 2026
€210kaverage per contract
Sem Ruído calculation

The cumulative average of about €209,888 comes from dividing total credit by the number of contracts. It is a Sem Ruído calculation based on Banco de Portugal data; it does not describe the price of the home or the amount owed today.

03

€10.3 billion is not €10.3 billion of public money

The €10.255 billion are loans granted by financial institutions. The guarantee committed was €1.420 billion. The authorised ceiling was raised by €750 million, to €2.3 billion, in April 2026.19

Three amounts that should not be confusedMillions of euros; credit and guarantee accumulated up to September 2026
Common scale. The authorised ceiling does not mean the whole amount has been allocated to banks or called.

The guarantee committed amounts to 13.8% of the credit taken out (Sem Ruído calculation). The 66.5% figure published by Banco de Portugal uses another denominator: the amount the state had allocated up to that date, shared among participating institutions. It is not 66.5% of the loans, nor 66.5% of the €2.3 billion ceiling.14

04

“More than half” depends on the universe

In the third quarter, contracts with the guarantee were 54.1% of contracts signed by young people up to 35 for the same purpose. When the denominator is the whole market for buying a permanent home, the share falls to 31.6%. Since the scheme began, they have been 46.6% of the comparable young segment.1

By amount, the shares are slightly higher, because guaranteed loans are larger: 56.0% of credit to young people in the third quarter, 35.8% of all credit for permanent homes that quarter, and 49.0% of credit to young people since the scheme began.1

The result changes with the denominatorShare of the number of contracts with the guarantee
“Young people” means contracts signed by borrowers up to 35 for the same purpose; it is not Portugal's young population.
05

The scheme is not concentrated on the lowest incomes

Banco de Portugal found that borrowers with the guarantee had, on average, higher incomes than young people who got credit without it. Compared with all eligible borrowers, the two lowest income quintiles were 5 percentage points less represented in the scheme. These data refer to Q1 2025, the scheme's first quarter.2

Where use appears to concentrateQualitative reading of the statistics; net income quintiles of all new loans
The IMF describes concentration in the 3rd and 4th quintiles. The public source does not allow a full percentage breakdown to be reproduced here.7

The explanation is consistent with how the credit works: the guarantee mainly solves a lack of upfront capital. People who cannot afford the instalment can still fail the affordability test; people who can pay but have not yet saved a deposit can now finance a larger share.

What this does not mean

It does not show that all beneficiaries would have bought without support, nor that the measure “benefits the rich”. It shows that, among people who can already get credit, lower incomes are less represented.

06

Less upfront saving, more debt financed

At the end of H1 2025, contracts with the guarantee had a higher average amount, LTV, debt-service-to-income ratio and maturity than contracts of eligible borrowers without it. These are comparisons between people who got credit, not between all eligible young people. For Banco de Portugal, “eligible” means borrowers up to 35, resident in Portugal, with no previous mortgage and a home worth up to €450,000, a group that includes people with income above the 8th bracket, who cannot use the guarantee.3

IndicatorWith guaranteeEligible, without guarantee
Average amount€194k€180k
Average LTV99%82%
Effective DSTI35%30%
Average maturity37 years 8 months36 years 8 months

In Q1 2025, 89% of contracts with the guarantee had an LTV of 100%.2 Across all mortgage lending, the share of new loans with LTV above 90% went from almost zero in 2024 to 19% in 2025, according to the IMF.6 The mechanical effect is clear: a smaller deposit lets people buy sooner, but leaves the household more leveraged and with very little initial equity.

07

Higher relative weight inland; more contracts in the metropolitan areas

More than 55% of young people's contracts used the guarantee in Alentejo, Beira Baixa, Terras de Trás-os-Montes, Beiras e Serra da Estrela and Lezíria do Tejo. In Greater Lisbon and Madeira, the share was around 40%.1

Highest relative weight>55%

Alentejo, Beira Baixa, Terras de Trás-os-Montes, Beiras e Serra da Estrela and Lezíria do Tejo.

Lowest relative weight≈40%

Greater Lisbon and the Autonomous Region of Madeira.

Largest absolute volume≈ half

Greater Lisbon, the Porto Metropolitan Area and the Setúbal Peninsula accounted for about half of the contracts.

Share and volume tell different stories. A region may have few contracts but a large proportion of them with the guarantee; a metropolitan area may have a smaller proportion and still concentrate many more transactions.

08

The measure makes credit easier to get, but it does not make the home cheaper

The mechanism does
  • reduce the savings needed for the deposit;
  • allow financing of between 85% and 100%;
  • bring the purchase forward for some creditworthy households.
The mechanism does not
  • directly lower the price of the home;
  • lower the interest rate (there is no subsidy);
  • reduce the instalment on a larger loan;
  • remove the affordability assessment;
  • protect the borrower from default.

Banks may not charge fees for the guarantee, but because the amount borrowed is larger, so are the instalment and the total interest paid over the contract. For the same reason, the Bank Customer Portal stresses that the risk of default increases.4

So “access to housing” and “access to credit” are not the same thing. For people who can already afford the instalment, the deposit may be the decisive barrier. For people with insufficient income, the guarantee does not solve the affordability problem.

09

There is a sign of pressure on prices, but not stand-alone proof against the guarantee

The IMF's preliminary estimate is that the package of measures aimed at young buyers (the public guarantee and exemptions from IMT and stamp duty) contributed to higher prices without a statistically significant increase in transactions.6

EvidencePreliminary · package of measures

The analysis does not identify the effect of the guarantee on its own and does not allow us to say that the whole observed rise was caused by these measures.

The economic mechanism is plausible: more buyers can bid without a large deposit, while construction and permitting are slow to respond. The IMF itself describes Portuguese supply as very price-inelastic and identifies obtaining building permits as the most structural obstacle.67

But prices also respond to interest rates, income, migration, investment, available stock and location. The available evidence supports “additional demand pressure”, not “the guarantee explains the housing crisis”.

10

How much does it cost the state? There is no consolidated answer yet

A guarantee is a contingent commitment. The state only pays out when the guarantee is called after a default, up to the applicable limit; it then keeps a claim on the borrower. The amount committed measures potential exposure, not money spent.4

One detail brings that moment forward: the state waived the benefit of prior execution, which means that, in the event of default, the guarantee can be called before the borrower's assets are seized.1 The IMF notes that part of the risk thereby shifts from banks to the public sector.6

In the public official sources consulted up to 30 October 2026, we found no consolidated statistic on guarantees already called, amounts paid by the state and amounts later recovered. Without those data, it is not accurate to turn €1.420 billion into a “cost to the taxpayer”.

11

The Government wants to continue in 2027; the deadline in force still ends in 2026

The 2027 budget report announces that the public guarantee “will remain”. However, the deadline in force is still 31 December 2026: it is set in the Ordinance, and it is what the Bank Customer Portal and Banco de Portugal state.8541

The Budget bill, approved in principle on 28 October 2026, contains no specific provision on this guarantee.11 The decree-law that created it has no end date, and the protocol with the banks already provides for “a possible extension of the programme”. So the extension does not require a new law: it can be done by amending the Ordinance and making guarantee capacity available.105

1IntentionAnnounced in the 2027 budget report
2Budget debate2027 budget approved in principle on 28 Oct.
3Ordinance amendedNot published by 30 Oct.
4Entry into forceHas not happened yet

As of this article, the accurate wording is: the Government intends to extend it, but the extension to 2027 is not yet legally confirmed.

12

What we know and what the data do not yet show

The data show
  • high and growing take-up;
  • less need for upfront capital;
  • higher LTV, amounts, maturities and DSTI;
  • lower presence of the lowest incomes;
  • a significant contingent liability for the state;
  • preliminary signs of extra price pressure from the support package.
The data do not show
  • how many unique people benefited;
  • how many buyers would never have bought without support;
  • that €1.420 billion has already been spent;
  • how much of the price rise comes from the guarantee alone;
  • the future net fiscal cost;
  • that the measure has already been extended to 2027.
Sources

Sources and methodology

We gave priority to institutional documents. Indicators from different dates appear with their own period; they were not interpolated to create series that do not exist. The only editorial calculations are the average value per contract and the guarantee committed as a share of credit taken out. Source titles are given in their original language.

  1. Banco de Portugal / BPstat, informação sobre o regime da garantia do EstadoContracts, amounts, take-up, denominators and regional breakdown · 29 Oct. 2026 ↗
  2. Banco de Portugal, Relatório de Estabilidade Financeira, maio de 2025Average amount, LTV, DSTI, maturity and income breakdown ↗
  3. Banco de Portugal, Sistema Bancário Português, 2.º trimestre de 2025Comparison between guaranteed credit, eligible without guarantee and total ↗
  4. Portal do Cliente Bancário, garantia pública no crédito à habitaçãoHow it works, obligations, default and legal deadline ↗
  5. Portaria n.º 236-A/2024/1, de 27 de setembroConditions, limit, duration, deadline and operation of the guarantee ↗
  6. IMF, Portugal: 2026 Article IV Consultation (May 2026)Preliminary evidence on prices and transactions, LTV and supply elasticity ↗
  7. IMF, FSAP technical note on systemic risk and macroprudential policy (July 2026)Income profile, loan structure and permitting ↗
  8. Governo, Relatório do Orçamento do Estado para 2027Intention to continue the measure in 2027 ↗
  9. Governo, reforço da garantia em €750 milhõesTotal guarantee amount rises to €2.3 billion · 24 Apr. 2026 ↗
  10. Decreto-Lei n.º 44/2024, de 10 de julhoCreates the state's personal guarantee and sets the conditions of access ↗
  11. Assembleia da República, Proposta de Lei n.º 110/XVII/2 (Orçamento do Estado para 2027)Text of the bill and the vote in principle of 28 Oct. 2026 · search by reference ↗

Limits: the BPstat publication is a dynamic page; the figures were checked against Banco de Portugal reports and the legislation. We found no public contract-level microdata, no full table by quintile, no consistent quarterly series since the start and no consolidated report of guarantees called.

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