Habitação · Dados e contexto

Estado da Habitação em Portugal: Principais Fatores

A crise não cabe numa explicação única. Os dados apontam para uma combinação de construção historicamente baixa, crescimento rápido da procura em zonas pressionadas e uma oferta que demora a responder.

Em síntese

Três forças atuam ao mesmo tempo

  1. Constrói-se muito menos do que no início do século.A recuperação recente parte de um nível historicamente baixo.
  2. A população cresceu depressa.O saldo migratório aumentou a procura, sobretudo em municípios onde a oferta não acompanhou.
  3. As casas demoram a chegar ao mercado.Licenciamento, projeto, financiamento, construção e infraestrutura criam um desfasamento de anos.
00

O diagnóstico: um desencontro, não uma causa isolada

Uma casa é um bem lento de produzir e muito dependente do lugar. Quando mais pessoas procuram habitação numa área e o número de casas disponíveis não cresce ao mesmo ritmo, aumenta a competição por cada imóvel. Preços de venda e rendas tendem a subir; quem tem rendimentos mais baixos é empurrado para zonas mais distantes, casas menores ou situações de sobrelotação.

Esta relação não significa que todas as subidas tenham a mesma origem. Taxas de juro, rendimento, turismo, alojamento local, casas vazias, fiscalidade, custos de construção e habitação pública também alteram o mercado. A leitura mais consistente dos dados é, por isso, cumulativa: procura adicional encontrou uma oferta escassa e pouco rápida.1

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Portugal passou uma geração a construir menos

Em 2002 foram concluídas 130 247 casas novas. Em 2025 foram 30 425, cerca de 23% daquele volume. O ponto mais baixo ocorreu em 2015, com 9 625 casas. Desde então existe recuperação, mas o país continua longe do ritmo do início do século.2

Da expansão ao mínimo e à recuperaçãoCasas novas concluídas; licenças nos 12 meses até ago. 2026
* Licenças não equivalem a casas concluídas. Fonte: INE.

Há um sinal de mudança: nos 12 meses até agosto de 2026 foram licenciadas 43 215 casas novas. As licenças, porém, não são casas prontas. Segundo a série analisada, as conclusões chegam em média um a dois anos depois. O aumento atual só aliviará a escassez se os projetos avançarem e se estiver localizado onde a procura é maior.3

Atenção às séries

O INE publica duas séries de casas concluídas. A série longa regista 30 425 em 2025; a série de estimativas de obras concluídas, usada em repartições por promotor e tipologia, regista 27 301. Têm métodos diferentes e não devem ser misturadas.

02

Mais residentes, com forte concentração territorial

Entre 2019 e 2025, Portugal ganhou 1 090 535 residentes e concluiu 170 871 casas novas: 6,4 pessoas adicionais por cada casa concluída. Quase todo o crescimento populacional resultou do saldo migratório, porque o saldo natural foi negativo.4

+1,09 Mresidentes
2019–2025
170 871casas novas
2019–2025
6,4pessoas adicionais
por casa nova
A mudança de regime depois de 2019Variação de residentes e casas novas concluídas, em milhares
A comparação mostra escala; não atribui causalidade. Fonte: INE, compilação Analisa.

Isto mede pessoas, não nacionalidades. O saldo migratório inclui entradas e saídas de portugueses e estrangeiros. E a comparação não prova que a imigração, isoladamente, “causou” os preços: mostra a escala do aumento da procura perante a produção de novas casas.

O desencontro também foi geográfico. Entre 2022 e 2025, os 77 municípios que cresceram mais depressa do que o país receberam 70% dos novos residentes, mas apenas 45% das casas licenciadas. Lisboa, Sintra, Loures e Amadora combinaram crescimento elevado com licenciamento abaixo da média.5

O crescimento concentrou-se mais do que as licençasQuota dos 77 municípios que cresceram acima da média, 2022–2025
Fonte: INE. A distribuição nacional restante corresponde a 30% e 55%, respetivamente.
03

A oferta reage devagar

Mesmo quando a procura é visível, a construção não responde de imediato. É necessário encontrar solo urbanizável, desenhar, licenciar, financiar, contratar e construir. Redes de água, saneamento, transportes e equipamentos públicos também condicionam a densidade possível. A burocracia é uma parte deste percurso; não é a única.

Uma licença antecipa a conclusãoSequência simplificada; o intervalo observado entre licença e conclusão é, em média, de 1 a 2 anos
1–2 anos, em média

Os dados nacionais disponíveis medem bem licenças e conclusões, mas não permitem atribuir uma parcela exata do atraso à administração. Ainda assim, o desfasamento médio de um a dois anos entre licenciamento e conclusão e a diferença entre municípios mostram por que razão uma subida súbita da procura pode produzir pressão antes de surgir nova oferta.

Simplificar procedimentos, tornar os prazos previsíveis e permitir mais habitação onde já existem emprego e transportes pode acelerar a resposta. Mas licenciar mais só é eficaz quando os projetos chegam à construção e produzem casas adequadas aos rendimentos e à dimensão dos agregados.

04

Os preços afastaram-se dos custos e dos rendimentos

Desde 2015, o índice de preços da habitação subiu 201% em Portugal, contra 69% na União Europeia. Num período mais recente, desde 2021, os preços portugueses subiram 79% e os custos de construção nova 33%. Os custos de materiais e mão de obra contam, mas a diferença mostra que não explicam toda a valorização.611

Preços muito acima da referência europeia e dos custosÍndices comparáveis dentro de cada painel; ano inicial = 100
Desde 2015
Desde 2021
Fonte: Eurostat. Os dois painéis têm anos-base diferentes e não devem ser cruzados.

No arrendamento, a renda mediana dos novos contratos passou de 5,56 €/m² no 1.º trimestre de 2020 para 9,76 €/m² no 2.º trimestre de 2026: mais 76%.7 Em 2025, 27,2% dos inquilinos a preço de mercado viviam em agregados que gastavam mais de 40% do rendimento disponível com habitação, contra 18,6% na União Europeia.12

Evolução das rendas e do esforço para comprar habitação
Renda dos novos contratosMediana por m², últimos 12 meses
Esforço para comprar 90 m²Simulação com 90% de crédito a 30 anos
Fontes: INE e Eurostat; cálculo de esforço do Analisa. A simulação não descreve cada família.
05

Há casas fora do mercado, mas não formam uma reserva homogénea

Os Censos 2021 contaram 5,97 milhões de alojamentos familiares clássicos. Destes, 69,4% eram residência habitual, 18,5% residência secundária ou sazonal e 12,1% estavam vagos. Das 723 215 casas vagas, 348 097 estavam à venda ou para arrendar e 375 118 estavam vazias por outros motivos.8

Como era usado o parque habitacional em 2021Distribuição dos alojamentos familiares clássicos
  • Residência habitual 69,4%
  • Secundária/sazonal 18,5%
  • Vaga no mercado 5,8%
  • Vaga por outros motivos 6,3%

Uma casa vazia pode estar longe dos centros de emprego, precisar de obras, estar numa herança indivisa ou não corresponder à tipologia procurada. Ainda assim, 154 962 casas estavam vazias, fora do mercado, em edifícios que não necessitavam de reparação, um conjunto relevante para políticas de mobilização, embora os dados não revelem a situação jurídica de cada imóvel.

O alojamento local também tem um efeito territorial desigual. No continente existem cerca de dois registos ativos por cada 100 casas; em Santa Maria Maior, no centro de Lisboa, são 41 por cada 100. O valor nacional pode esconder pressão intensa em zonas turísticas, mas a concentração não permite concluir que o alojamento local explique sozinho a subida nacional das rendas.1

Alojamento local: média nacional, impacto localRegistos ativos por cada 100 casas
Fonte: RNAL/Turismo de Portugal, compilação Analisa. Santa Maria Maior é um caso extremo, não uma média urbana.
06

Não basta contar casas: importa o tipo e quem as consegue pagar

Os agregados ficaram mais pequenos. Nos Censos 2021, 58% tinham uma ou duas pessoas. Entre as casas concluídas em 2025, apenas 17% eram T0 ou T1, 28% T2 e 55% T3 ou maiores. Não existe correspondência automática (um casal pode precisar de um T2 ou T3), mas a comparação ajuda a perceber se a produção acompanha a composição das famílias.9

Agregados pequenos, construção ainda concentrada em T3+Percentagem do respetivo total
Fontes: Censos 2021 e Estatísticas das Obras Concluídas, INE.

A habitação pública voltou a ganhar escala com o PRR e o 1.º Direito. Em 2025, entidades públicas adjudicaram 738,2 milhões de euros em obras de habitação, 16 vezes a média de 2015–2019. Os contratos de construção nova que indicavam quantidade somavam pelo menos 1 162 casas; 34% dos concursos lançados nesse ano foram alterados ou relançados.10

738,2 M€obras públicas de habitação
adjudicadas em 2025
≥1 162casas novas identificadas
nos contratos
34%dos concursos alterados
ou relançados

Os contratos mostram mais atividade do que as licenças municipais porque as obras públicas estão frequentemente isentas de controlo prévio municipal e muitos programas compram ou reabilitam casas existentes. Ao mesmo tempo, a reabilitação privada continua pequena: em 2025 houve 2,3 reconstruções por cada 100 edifícios novos concluídos.

07

O que retirar destes dados

A leitura mais sólida é a de um problema de quantidade, localização, tempo e acesso. Portugal construiu pouco durante muitos anos; a procura cresceu depressa e concentrou-se; a produção não conseguiu ajustar-se no mesmo prazo. Ao mesmo tempo, parte do parque está vazio, a oferta pública é limitada e os rendimentos não acompanharam os preços.

Isso sugere uma resposta com várias frentes: aumentar e acelerar a oferta nas zonas pressionadas; reabilitar e mobilizar casas devolutas viáveis; expandir habitação pública e acessível; alinhar construção com transportes e infraestruturas; e proteger quem enfrenta custos incomportáveis enquanto a oferta demora a chegar. Apoios à procura, quando não são acompanhados por mais oferta, podem sobretudo aumentar a capacidade de licitar por um stock que continua escasso.

A imigração faz parte da evolução da procura, mas não é uma explicação suficiente nem uma política de habitação. O foco útil está na velocidade e na geografia da mudança populacional, na capacidade de resposta da oferta e em quem suporta o custo do desfasamento.

Os dados sustentam
  • Mais oferta nas zonas com procura e infraestrutura
  • Licenciamento previsível e acompanhamento até à conclusão
  • Habitação pública, reabilitação e mobilização do stock viável
  • Apoio dirigido a quem enfrenta esforço excessivo
Os dados não sustentam, por si só
  • Uma causa única para a crise
  • Confundir licenças com casas disponíveis
  • Tratar todas as casas vagas como imediatamente habitáveis
  • Extrapolar um caso turístico para todo o país
08

Fontes e limites

Os valores de 2021 em diante sobre construção são preliminares e as conclusões de 2024 e 2025 são estimativas do INE. A comparação entre população e casas mede escala, não causalidade. Os dados de casas vagas vêm dos Censos 2021 e não descrevem a situação atual de cada imóvel.

  1. Analisa, Habitação em PortugalRelatório integrado de construção, população, preços e acesso; consultado em 26 out. 2026. ↗
  2. INE, Fogos concluídos em construções novas (série longa)Indicador 0011725. ↗
  3. INE, Fogos licenciados em construções novasIndicador 0012098. ↗
  4. INE, Indicadores demográficosSaldo natural e saldo migratório, indicador 0013179. ↗
  5. INE, População residente por municípioIndicador 0012917. ↗
  6. Eurostat, House price indexDataset prc_hpi_q. ↗
  7. INE, Renda mediana dos novos contratosIndicador 0014696. ↗
  8. INE, Alojamentos familiares clássicos por forma de ocupaçãoCensos 2021, indicador 0012501. ↗
  9. INE, Fogos concluídos por tipologiaEstimativas das obras concluídas, indicador 0013248. ↗
  10. Portal BASE, Contratos públicosEmpreitadas de habitação, compiladas e classificadas pelo Analisa. ↗
  11. Eurostat, Custos de construção novaDataset sts_copi_q. ↗
  12. Eurostat, Sobrecarga das despesas com habitaçãoDataset ilc_lvho07c, por regime de ocupação. ↗
Housing · Data and context

The State of Housing in Portugal: Key Factors

The crisis does not fit a single explanation. The data point to a combination of historically low construction, fast-growing demand in pressured areas and supply that is slow to respond.

In brief

Three forces are at work at the same time

  1. Far less is being built than at the start of the century.The recent recovery starts from a historically low level.
  2. The population grew fast.Net migration increased demand, especially in municipalities where supply did not keep up.
  3. Homes take time to reach the market.Permits, design, financing, construction and infrastructure create a lag of years.
00

The diagnosis: a mismatch, not an isolated cause

A home is slow to produce and highly dependent on location. When more people look for housing in an area and the number of available homes does not grow at the same pace, competition for each property increases. Sale prices and rents tend to rise; people on lower incomes are pushed to more distant areas, smaller homes or overcrowding.

This relationship does not mean that every increase has the same origin. Interest rates, income, tourism, short-term rentals, empty homes, taxation, construction costs and public housing also shape the market. The most consistent reading of the data is therefore cumulative: additional demand met scarce and slow-moving supply.1

01

Portugal spent a generation building less

In 2002, 130,247 new homes were completed. In 2025 the figure was 30,425, about 23% of that volume. The low point came in 2015, with 9,625 homes. There has been a recovery since then, but the country remains far from the pace of the early 2000s.2

From boom to low point and recoveryNew homes completed; permits in the 12 months to Aug. 2026
* Permits are not the same as completed homes. Source: INE.

There is a sign of change: in the 12 months to August 2026, 43,215 new homes were permitted. Permits, however, are not finished homes. According to the series analysed, completions arrive on average one to two years later. The current increase will only ease the shortage if the projects go ahead and if it is located where demand is highest.3

Mind the series

INE publishes two series of completed homes. The long series records 30,425 in 2025; the series of estimated completed works, used for breakdowns by developer and home size, records 27,301. They use different methods and should not be mixed.

02

More residents, strongly concentrated in certain areas

Between 2019 and 2025, Portugal gained 1,090,535 residents and completed 170,871 new homes: 6.4 additional people for every home completed. Almost all population growth came from net migration, because natural change was negative.4

+1.09mresidents
2019–2025
170,871new homes
2019–2025
6.4additional people
per new home
The change of regime after 2019Change in residents and new homes completed, in thousands
The comparison shows scale; it does not attribute causality. Source: INE, compiled by Analisa.

This measures people, not nationalities. Net migration includes Portuguese and foreigners coming and going. And the comparison does not prove that immigration, on its own, “caused” prices: it shows the scale of the increase in demand relative to the production of new homes.

The mismatch was also geographical. Between 2022 and 2025, the 77 municipalities that grew faster than the country received 70% of new residents but only 45% of the homes permitted. Lisbon, Sintra, Loures and Amadora combined high growth with below-average permitting.5

Growth was more concentrated than permitsShare of the 77 municipalities that grew above average, 2022–2025
Source: INE. The rest of the country accounts for 30% and 55%, respectively.
03

Supply responds slowly

Even when demand is visible, construction does not respond immediately. Developable land has to be found, designed, permitted, financed, contracted and built. Water, sewerage, transport and public facilities also limit the possible density. Red tape is part of this process; it is not the only part.

A permit comes before completionSimplified sequence; the observed gap between permit and completion averages 1 to 2 years
1–2 years, on average

The national data available measure permits and completions well, but do not allow an exact share of the delay to be attributed to the administration. Even so, the average lag of one to two years between permit and completion, and the differences between municipalities, show why a sudden rise in demand can create pressure before new supply appears.

Simplifying procedures, making time limits predictable and allowing more housing where jobs and transport already exist can speed up the response. But permitting more only works when projects reach construction and produce homes suited to incomes and household sizes.

04

Prices have drifted away from costs and incomes

Since 2015, the house price index has risen 201% in Portugal, against 69% in the European Union. More recently, since 2021, Portuguese prices have risen 79% and new construction costs 33%. Material and labour costs matter, but the gap shows they do not explain all of the increase.611

Prices well above the European benchmark and costsIndices comparable within each panel; first year = 100
Since 2015
Since 2021
Source: Eurostat. The two panels have different base years and should not be compared with each other.

In renting, the median rent of new leases rose from €5.56/m² in Q1 2020 to €9.76/m² in Q2 2026: up 76%.7 In 2025, 27.2% of tenants paying market rent lived in households spending more than 40% of their disposable income on housing, against 18.6% in the European Union.12

Change in rents and in the effort needed to buy a home
Rent on new leasesMedian per m², last 12 months
Effort to buy 90 m²Simulation with a 90% loan over 30 years
Sources: INE and Eurostat; effort calculation by Analisa. The simulation does not describe every family.
05

There are homes off the market, but they are not a uniform reserve

The 2021 Census counted 5.97 million conventional dwellings. Of these, 69.4% were main residences, 18.5% second or seasonal homes and 12.1% were vacant. Of the 723,215 vacant homes, 348,097 were for sale or rent and 375,118 were empty for other reasons.8

How the housing stock was used in 2021Breakdown of conventional dwellings
  • Main residence 69.4%
  • Second/seasonal 18.5%
  • Vacant, on the market 5.8%
  • Vacant for other reasons 6.3%

An empty home may be far from jobs, need work, be part of an undivided inheritance or not match the size people are looking for. Even so, 154,962 homes were empty and off the market in buildings needing no repairs, a significant pool for mobilisation policies, although the data do not reveal the legal situation of each property.

Short-term rentals also have an uneven territorial effect. On the mainland there are about two active registrations for every 100 homes; in Santa Maria Maior, in central Lisbon, there are 41 for every 100. The national figure can hide intense pressure in tourist areas, but the concentration does not allow us to conclude that short-term rentals alone explain the national rise in rents.1

Short-term rentals: national average, local impactActive registrations for every 100 homes
Source: RNAL/Turismo de Portugal, compiled by Analisa. Santa Maria Maior is an extreme case, not an urban average.
06

Counting homes is not enough: type and affordability matter

Households have become smaller. In the 2021 Census, 58% had one or two people. Among homes completed in 2025, only 17% were studios or one-bedroom, 28% two-bedroom and 55% three-bedroom or larger. There is no automatic match (a couple may need two or three bedrooms), but the comparison helps show whether production keeps up with the make-up of families.9

Small households, construction still focused on 3+ bedroomsShare of the respective total
Sources: 2021 Census and Completed Works Statistics, INE.

Public housing has regained scale with the Recovery and Resilience Plan and the 1.º Direito programme. In 2025, public bodies awarded €738.2 million in housing works, 16 times the 2015–2019 average. New-build contracts that stated a quantity added up to at least 1,162 homes; 34% of the tenders launched that year were amended or relaunched.10

€738.2mpublic housing works
awarded in 2025
≥1,162new homes identified
in the contracts
34%of tenders amended
or relaunched

The contracts show more activity than municipal permits because public works are often exempt from prior municipal control and many programmes buy or refurbish existing homes. At the same time, private refurbishment remains small: in 2025 there were 2.3 reconstructions for every 100 new buildings completed.

07

What to take from these data

The most solid reading is of a problem of quantity, location, time and access. Portugal built little for many years; demand grew fast and became concentrated; production could not adjust in the same time frame. At the same time, part of the stock is empty, public supply is limited and incomes have not kept pace with prices.

That suggests a response on several fronts: increase and speed up supply in pressured areas; refurbish and bring viable empty homes back into use; expand public and affordable housing; align construction with transport and infrastructure; and protect people facing unaffordable costs while supply takes time to arrive. Demand-side support, when not matched by more supply, may mainly increase the ability to bid for a stock that remains scarce.

Immigration is part of how demand has changed, but it is neither a sufficient explanation nor a housing policy. The useful focus is on the speed and geography of population change, the capacity of supply to respond and who bears the cost of the lag.

The data support
  • More supply in areas with demand and infrastructure
  • Predictable permitting followed through to completion
  • Public housing, refurbishment and use of the viable stock
  • Targeted support for those facing excessive costs
The data do not support, on their own
  • A single cause for the crisis
  • Confusing permits with available homes
  • Treating all vacant homes as immediately habitable
  • Extrapolating a tourist hotspot to the whole country
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Sources and limits

Construction figures from 2021 onwards are provisional and completions for 2024 and 2025 are INE estimates. The comparison between population and homes measures scale, not causality. Vacant-home data come from the 2021 Census and do not describe the current situation of each property. Source titles are given in Portuguese.

  1. Analisa, Habitação em PortugalIntegrated report on construction, population, prices and access; accessed 26 Oct. 2026. ↗
  2. INE, Fogos concluídos em construções novas (série longa)Indicator 0011725. ↗
  3. INE, Fogos licenciados em construções novasIndicator 0012098. ↗
  4. INE, Indicadores demográficosNatural change and net migration, indicator 0013179. ↗
  5. INE, População residente por municípioIndicator 0012917. ↗
  6. Eurostat, House price indexDataset prc_hpi_q. ↗
  7. INE, Renda mediana dos novos contratosIndicator 0014696. ↗
  8. INE, Alojamentos familiares clássicos por forma de ocupação2021 Census, indicator 0012501. ↗
  9. INE, Fogos concluídos por tipologiaEstimates of completed works, indicator 0013248. ↗
  10. Portal BASE, Contratos públicosHousing works contracts, compiled and classified by Analisa. ↗
  11. Eurostat, Construction costs for new residential buildingsDataset sts_copi_q. ↗
  12. Eurostat, Housing cost overburden rateDataset ilc_lvho07c, by tenure status. ↗

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